Rafal Guz/Poland Out/EFE/EPA
Rafal Guz/Poland Out/EFE/EPA

Em impasse orçamentário, Polônia e Hungria acusam UE de fazer chantagem

Países vetaram orçamento e plano de recuperação pós-covid do bloco porque acesso aos recursos estaria condicionado ao respeito ao estado de direito

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2020 | 20h54

BUDAPESTE - Os primeiros-ministros da Polônia e da Hungria acusaram os países da União Europeia de chantagem nesta quarta-feira, 18, fincando suas posições depois de vetarem o orçamento do bloco e o pacote de recuperação pós-covid.

Os dois países bloquearam na segunda-feira o orçamento 2021-2027 da UE e o plano de recuperação, no valor de 1,85 trilhão de euros, porque o acesso aos recursos estaria condicionado ao respeito ao estado de direito.

O primeiro-ministro polonês, Mateusz Morawiecki, disse que pedirá aos parlamentares que votem uma resolução apoiando a posição do governo em relação ao veto, após um discurso no Parlamento em que protestou contra o que considerou ser um tratamento desigual de alguns Estados-membros.

“Se nossos parceiros não entenderem que não concordamos com o tratamento desigual dos Estados...então realmente usaremos esse veto no final”, afirmou ele.

A Polônia fez das reformas do Judiciário um elemento-chave de sua tentativa de remodelar o país e remover o que vê como um resíduo da influência comunista. Críticos, incluindo a Comissão Europeia, dizem que as reformas visam aumentar o controle político dos tribunais.

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, cujo governo nacionalista está sendo investigado por minar a independência dos tribunais, da mídia e de organizações não governamentais da Hungria, vinculou seu veto à oposição à imigração em massa para a União Europeia.

O Parlamento Europeu, por sua vez, informou que não pretende mudar de posição. "Não haverá concessão da nossa parte", afirmaram o presidente do Parlamento, David Sassoli, e os líderes dos blocos políticos ao final de uma reunião.

"Os dirigentes do Parlamento Europeu lamentam profundamente este bloqueio e reafirmam que os acordos fechados tanto sobre o orçamento plurianual quanto sobre a vinculação ao estado de direito não podem ser reabertos", disseram os parlamentares em nota.

Nesta quarta-feira, o comissário europeu para a Economia, Paolo Gentiloni, e o vice-presidente executivo da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, fizeram um dramático apelo a todos os governos para apoiarem os dois pacotes. /REUTERS e AFP

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