Ronen Zvulun / Reuters
Ronen Zvulun / Reuters

Em Israel, vitória de Netanyahu não garante fim de impasse político

Em um ano, país passou por duas eleições e horas de negociações, mas ainda não conseguiu formar um governo

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2019 | 19h57

JERUSALÉM - Pela terceira vez em menos de 12 meses, os 120 membros da Knesset (o Parlamento de Israel) foram enviados para casa novamente para fazer campanha. Duas rodadas de votação que terminaram em impasse e inúmeras horas de negociações para formar uma coalizão – sem êxito – deixaram Israel num atoleiro político, sem uma saída clara.

Mas em um país que já viveu dois impasses entre o partido Likud, do primeiro-ministro Binyamin “Bibi” Netanyahu, e a aliança azul e branca de Benny Gantz, a terceira eleição, prevista para 2 de março, não parece que terá o resultado decisivo necessário para formar um governo.

Ainda não está claro se a vitória esmagadora de Netanyahu para continuar liderando o Likud, na quinta-feira, ajudará a romper o impasse.

Atualmente, políticos, analistas e o público estão preocupados com o preço que um ano de limbo na política cobrará de Israel, de suas instituições e de seu povo. Para a democracia parlamentar, o fracasso dos líderes políticos em estabelecer um governo ou selecionar um premiê significa que importantes funções do Executivo e do Legislativo estiveram praticamente inexistentes.

As nomeações mais importantes decididas pelo governo estão paradas. A Knesset aprovou apenas seis leis desde janeiro – quatro referentes às eleições. Nenhum orçamento estadual foi aprovado para 2020.

“É uma crise política pela qual nunca passamos e nem sequer antecipamos, disse Yohanan Plesner, presidente do Instituto de Democracia de Israel. “Jamais estivemos em uma situação em que um candidato político não conseguiu montar um governo, e isso aconteceu agora não apenas uma vez, mas duas vezes.”

Em novembro, o procurador-geral Avichai Mandelblit indiciou Netanyahu em casos centrados em suborno, fraude e quebra de confiança. Um premiê em exercício não é obrigado a se retirar, a menos que seja condenado e tenha esgotado todos os recursos.

Netanyahu alega que as acusações fazem parte de uma caça às bruxas para forçá-lo a deixar o cargo. Mas surgiu agora a questão se seria permitido a um candidato indiciado formar um governo. A Suprema Corte de Israel solicitou a Mandelblit que emita um parecer sobre o assunto.

As restrições sobre o que alguns israelenses chamam de “governo provisório” são evidentes. As seleções de um chefe de polícia e um chefe de serviços prisionais estão congeladas há meses. O chefe de gabinete, general Aviv Kochavi, busca aprovação para um plano estratégico de cinco anos para orientar a resposta do Exército às crescentes ameaças à segurança regional que Israel enfrenta. 

“Um governo de transição não pode aprovar tal plano”, disse Sason Hadad, chefe do projeto de pesquisa em economia e segurança nacional do Instituto de Estudos de Segurança Nacional. “Será preciso esperar até que haja um novo governo, e isso pode tornar as coisas muito difíceis para o Exército.” / W.POST

 

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