Menahem Kahana/Pool Photo via AP
Menahem Kahana/Pool Photo via AP

Em Jerusalém, Netanyahu e Blinken alinham discurso contra o Hamas

Secretário de Estado americano se reuniu com o primeiro-ministro israelense em Jerusalém, durante viagem ao Oriente Médio

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2021 | 07h56

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, desembarcou em Tel-Aviv nesta terça-feira, 25, para reuniões com autoridades israelenses e palestinas, no quarto dia de cessar-fogo após o violento conflito entre o governo de Israel e o Hamas. A agenda de Blinken inclui reuniões com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, e com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, além de viagens a Egito e Jordânia.

Durante a visita, Blinken anunciou ainda a doação de US$ 75 milhões em ajuda humanitária à Faixa de Gaza e a reabertura de um consulado para palestinos em Jerusalém. Ele ainda defendeu a criação de um Estado palestino independente como saída para o conflito, em uma retomada de uma posição histórica da diplomacia americana, abandonada na gestão Donald Trump.

A reunião com o premiê israelense aconteceu na manhã desta terça, em Jerusalém. Antes da viagem, Blinken havia tuitado que o objetivo da visita era "apoiar os esforços para consolidar o cessar-fogo", discurso endossado pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que disse que a missão do secretário era falar sobre o "apoio inabalável (dos Estados Unidos) à segurança de Israel" e prosseguir com os "esforços do governo para reconstruir os vínculos com os palestinos".

Após a reunião, Blinken e Netanyahu alinharam os discursos em oposição ao Hamas - principal rival de Israel no último conflito. O primeiro-ministro afirmou que Israel terá uma resposta "muito potente" caso o Hamas rompa com o cessar-fogo e volte a atacar o país. Já o secretário de Estado afirmou que os EUA trabalhariam de maneira estreita com seus parceiros "para garantir que o Hamas não se beneficie da ajuda à reconstrução" de Gaza.

Apesar do discurso crítico ao Hamas, Blinken também afirmou que restar muito trabalho "para restaurar a esperança, o respeito e uma certa confiança entre ambos os lados". "Já vimos para onde as outras opções nos levam, e isso deve nos estimular a redobrar os esforços para preservar a paz", declarou.

Durante o cessar-fogo, o governo americano - incluindo Joe Biden e Antony Blinken - expressaram apoio à "solução de dois Estados", israelense e palestino, respaldada pela comunidade internacional e resgatada pelo novo governo americano antes da crise das últimas semanas. Mas os últimos comunicados do Departamento de Estado e da Casa Branca não mencionaram esta solução.

"Nossa prioridade é realmente, antes que mais nada, conseguir que o cessar-fogo continue", disse uma fonte do governo americano antes da viagem de Blinken, afirmando que qualquer plano mais ambicioso, no momento, seria prematuro.

A preocupação com um retorno da violência persiste pelo fato de ainda haver uma grande tensão na região. Um palestino foi morto por forças de segurança de Israel no campo de refugiados de Al Amari, na Cisjordânia, na madrugada desta terça, em uma ação que as forças armadas israelenses afirmam ter sido para a detenção de "militantes terroristas".

Na segunda-feira, 24, duas pessoas ficaram feridas, incluindo um soldado israelenses, durante um ataque a faca em Jerusalém, perto do bairro de Seikh Jarrah. O autor do ataque, um palestino de 17 anos, foi morto pelas forças de segurança.

O conflito entre Hamas e Israel, que durou 11 dias, matou mais de 200 palestinos na Faixa de Gaza, incluindo mais de 60 menores de idade, segundo as autoridades locais. Em Israel, os lançamentos de foguetes a partir de Gaza deixaram 12 mortos, incluindo uma criança, uma adolescente e um soldado, segundo a polícia./ AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.