Allan Tannenbaum/Efe
Allan Tannenbaum/Efe

Em juízo, Strauss-Kahn volta a alegar inocência

Ex-diretor do FMI, que foi recebido com insultos de multidão ao chegar a tribunal americano, nega ter estuprado camareira de hotel em Nova York

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Durante audiência ontem em uma corte de Nova York, o ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn declarou-se inocente da acusação de estupro de uma camareira de um hotel de Manhattan no mês passado.

Acompanhado de sua mulher, a jornalista e milionária francesa Anne Sinclair, Strauss-Kahn compareceu de terno à Justiça e, ao entrar na corte, diante de dezenas de jornalistas, foi insultado por uma multidão, incluindo algumas colegas de trabalho da camareira.

Na saída, o ex-diretor do FMI não deu declarações. Seu advogado, Benjamin Brafman, mais uma vez refutou as acusações de estupro, mas sem dizer claramente se houve ou não contato sexual de seu cliente com a vítima. "Quando as provas aparecerem, ficará claro que não houve encontro forçado."

Assim, segundo analistas, o advogado abre duas estratégias de defesa. Pode tanto argumentar ter havido uma relação sexual consensual entre os dois como também dizer que sequer ocorreu um contato físico de Strauss-Kahn com a camareira.

Em vez dos promotores, quem falou em nome da acusação foi um advogado contratado pela vítima. Demonstrando irritação com a defesa do ex-diretor do FMI, Kenneth Thompson disse que "todo o poder, dinheiro e influência de Strauss-Kahn não impedirão que a verdade sobre o que ele fez com ela no quarto do hotel prevaleça". "Ela virá para esta corte contar ao mundo o que ele fez."

No dia 14, Strauss-Kahn, que era o favorito para vencer as eleições presidenciais francesas no ano que vem, foi preso dentro de um avião que decolaria de Nova York para Paris, onde ele se reuniria com autoridades internacionais.

Dias depois, na cadeia, pediu demissão da direção do FMI. Quase duas semanas mais tarde, mediante pagamento de fiança, conseguiu o direito de responder ao processo em liberdade.

Strauss-Kahn está vivendo em uma casa cujo aluguel é avaliado em US$ 50 mil mensais no bairro de Tribeca, um dos mais valorizados de Manhattan. O ex-diretor do FMI, com a ajuda da fortuna de sua mulher, também paga uma empresa de segurança privada para vigiá-lo.

No momento, ele é obrigado a usar uma tornozeleira eletrônica com GPS para que a polícia possa controlar seus movimentos. A próxima audiência será em 18 de julho.

PARA LEMBRAR

Em 14 de maio, Dominique Strauss-Kahn, então diretor do FMI, foi preso depois que uma camareira de origem africana o acusou de estupro. Segundo ela, Strauss-Kahn a teria agarrado e a forçado a realizar sexo oral. Ele nega e afirma que, naquele dia, ao sair do hotel, foi almoçar com a filha antes de ir para o aeroporto. Depois da acusação, surgiram histórias similares na Europa.

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