Sergei Chuzavkov/AP
Sergei Chuzavkov/AP

Em Kiev, Biden diz que Moscou deve agir em vez de falar

Vice-presidente americano também liberou ajuda financeira ao país no valor de US$ 58 milhões

22 de abril de 2014 | 07h52

(Atualizado às 11h40) KIEV - Em visita à Ucrânia, o vice-presidente americano Joe Biden alertou a Rússia nesta terça-feira, 22, que "chegou a hora de parar de falar e começar a agir" para reduzir a tensão na Ucrânia, oferecendo apoio ao país enquanto um acordo internacional direcionado a diminuir a crise parece ter sido colocado em dúvida.

Ao lado do primeiro-ministro ucraniano Arseni Yatseniuk, Biden disse a Moscou para encorajar os separatistas pró-Moscou no leste da Ucrânia a deixarem os edifícios e centros públicos, aceitar a anistia e "lídar com seus descontentamentos politicamente".

Biden disse que a Rússia precisava agir sem demora, acrescentando que "nós não vamos permitir que isso se torne um processo sem fim".

O vice-presidente dos EUA disse ainda que os americanos estão junto com o povo ucraniano contra "ameaças humilhantes". Em discurso ao Parlamento, Biden alertou também o governo contra a corrupção. O encontro selou o pacote de ajuda de US$ 50 milhões para ajudar Kiev com reformas políticas e econômicas

Os EUA também ofereceram mais US$ 8 milhões em ajuda militar não letal, incluindo rádios e veículos, de acordo com um comunicado emitido pela equipe de Biden na capital ucraniana.

Pequeno mediante a necessidade ucraniana e em relação à garantia de empréstimo de US$ 1 bilhão já assinada por Washington, o pacote, junto com a visita de Biden, é um claro sinal de apoio americano às novas autoridades ucranianas após a deposição do presidente pró-Moscou Viktor Yanukovich e a crise consequente com a Rússia.

"Os Estados Unidos estão comprometidos em garantir que os ucranianos sozinhos sejam capazes de determinar o futuro de seu país sem intimidação ou coerção de forças externas", disse o comunicado.

Desde ontem em território ucraniano, o vice-presidente norte-americano disse aos líderes de vários partidos políticos de que sua missão é trazer uma mensagem de apoio do presidente Barack Obama para que o país do leste europeu encare uma oportunidade histórica de reformas.

"A oportunidade de gerar uma Ucrânia unida, fazendo direito, está dentro do alcance de vocês", disse. "Nós queremos ser parceiros, seus amigos neste projeto. Nós estamos prontos para ajudar", completou.

Entre os presentes no momento da declaração estavam três candidatos presidenciais - a eleição, a primeira após a destituição do presidente Viktor Yanukovich, será realizada em 25 de maio. Em uma palavra de incentivo, Biden disse que espera que os candidatos tenha mais sorte do que ele, que concorreu duas vezes a presidente dos EUA.

O vice dos EUA salientou que a eleição no próximo mês deve ser a mais importante na história do país, e afirmou que Washington está pronta para ajudar a realizá-la. Afirmando que a Ucrânia enfrentou ameaças humilhantes, Biden disse que os EUA podem ajudar os líderes ucranianos a criar uma unidade nacional.

Em um encontro privado, ele também se reuniu com o presidente, Oleksander Turchinov, e o primeiro-ministro, Arseni Iatsenyuk. Mais tarde, deve se encontrar com ativistas de diferentes setor. Após essa maratona de encontros, a comitiva norte-americana anunciará um novo pacote de ajuda, principalmente nos setores de energia e economia.

Durante o encontro com os parlamentares, Biden destacou que uma das prioridades dos EUA é ajudar a Ucrânia a ser independente do fornecimento de energia da Rússia. "Imagine se hoje vocês tivessem a capacidade de dizer à Rússia: ''guarde seu gás''", disse. "Seria uma mundo muito diferente para todos", afirmou. / AP e REUTERS

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