Em Latakia, 10 mil palestinos sumiram após repressão

disseram que muitos dos deslocados fugiram para o interior do país ou para Alepo

Anthony Shadid e Isabel Kershner, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2011 | 00h00

De acordo com as Nações Unidas, mais de 10 mil moradores de um enclave de refugiados palestinos em Latakia, cidade portuária da Síria, fugiram da região nos cinco dias de ataques das forças de segurança sírias. Segundo moradores, os soldados do ditador Bashar Assad realizaram prisões e vários atos de intimidação, tentando impor um império do terror em uma das mais importantes cidades do país.

 

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A agência das Nações Unidas para assistência a refugiados palestinos (UNRWA, na sigla em inglês) declarou não ter nenhuma informação sobre o paradeiro dos palestinos de Latakia. Ativistas disseram que muitos dos deslocados fugiram para o interior do país ou para Alepo, a segunda maior cidade da Síria.

"Uma população esquecida que agora está desaparecida", disse Christopher Gunness, porta-voz da agência da ONU em Jerusalém. Ele qualificou a situação de "muito, mas muito preocupante".

Raml, o bairro dos refugiados, foi criado depois de 1948, quando os palestinos fugiram ou foram expulsos de suas casas durante a violência após a criação do Estado de Israel. Tornou-se um dos maiores distritos da cidade, atraindo muita gente em busca de trabalho, mas sem muitos serviços básicos. O bairro e os locais vizinhos têm sido palco de manifestações desde que eclodiram as rebeliões na Síria, em março.

Ativistas locais garantem que a investida das forças de Assad não abateu o espírito dos dissidentes. "Os moradores de Raml se reunirão no mesmo dia que o Exército sair", disse Ahmed Bogdash, que mora no bairro. "Eles são pobres, não têm nada a perder."

Gunness disse que forças sírias dispararam diretamente contra o bairro. Na terça-feira, Raml estava "deserta", segundo ele. A UNRWA informou ainda que as autoridades sírias, até agora, não permitiram o acesso da agência a Raml, o que seria indício de que alguns moradores idosos ou feridos podem estar em dificuldade. As notícias de Latakia foram manchetes em todos os principais jornais palestinos na Cisjordânia. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

SÃO REPÓRTERES DO "NYT"

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