Paolo Aguilar/EFE
Paolo Aguilar/EFE

Em Lima, Bolton diz que bloqueio dos EUA à Venezuela autoriza sanções a terceiros 

O pronunciamento de Bolton foi feito durante a cúpula sobre a Venezuela em Lima, capital do Peru, no qual ele enfatizou que agora as autoridades americanas podem visar e punir qualquer um, incluindo estrangeiros, que apoie o governo Maduro

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2019 | 21h02

LIMA - Um dia após Washington congelar os ativos do governo Nicolás Maduro, o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, declarou nesta terça-feira, 6, que seu país está pronto para impor sanções a qualquer companhia internacional que negocie ou apoie o regime venezuelano. Em resposta, o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, acusou os EUA de quererem fazer da Venezuela território para sua guerra geopolítica contra a Rússia e a China

O pronunciamento de Bolton foi feito durante a cúpula sobre a Venezuela em Lima, capital do Peru, no qual ele enfatizou que agora as autoridades americanas podem visar e punir qualquer um, incluindo estrangeiros, que apoie o governo Maduro. “O momento de agir é agora. Os EUA estão agindo para isolar Maduro financeiramente e acelerar uma transição democrática pacífica”, disse. 

O decreto anunciado na segunda-feira pode implicar os negócios com a Rússia e a China, além de empresas ocidentais. Tratou-se do primeiro congelamento de ativos dos EUA contra todo um governo no Hemisfério Ocidental em mais de 30 anos, e deu às autoridades americanas poderes inéditos sobre as finanças ligadas ao país. 

"Dizemos à Rússia e à China que seu apoio ao regime de Maduro é intolerável, particularmente para o regime democrático que substituirá Maduro. Dizemos novamente à Rússia, especialmente àqueles que controlam suas finanças, para que não dobrem uma aposta ruim", disse Bolton. 

“Para a China, que agora está desesperada para recuperar seus prejuízos financeiros, a rota mais rápida para receber um reembolso é apoiar o governo legítimo de Guaidó.”

'Arquitetura alternativa'

Segundo o chanceler venezuelano, aliados internacionais têm ajudado ao governo Maduro construir uma “arquitetura alternativa” que permite ao regime burlar as sanções dos EUA, admitindo que será agora mais difícil com a imposição de novas penalidades americanas que, segundo ele, violam as leis internacionais. 

Arreaza alegou que, com elas, Caracas não poderá importar mais a quantidade de produtos necessária para o programa de cestas básicas Carnê da Pátria (Clap). A oposição tem denunciado reiteradamente que o programa é usado para desvios e uma forma de controle político nas zonas populares da Venezuela. 

Considerado a mão dura da administração Trump, Bolton participou hoje da reunião internacional programada para tratar do retorno da democracia ao país sul-americano. No entanto, a Conferência Internacional pela Democracia da Venezuela, que deveria ouvir a opinião dos quase 60 países participantes sobre a crise na Venezuela, acabou por se transformar em uma plataforma para Bolton reafirmar a posição unilateral americana e as últimas medidas tomadas por Washington./REUTERS, AFP e EFE  

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.