Em livro, Bush mostra-se bem menos pró-Israel

Ex-presidente fez críticas à estratégia israelense de atacar o Hezbollah, em 2006, e à visita de Sharon a Jerusalém Oriental

Gustavo Chacra CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2010 | 00h00

Em seu livro Decision Points (Pontos de Decisão), lançado nesta semana nos Estados Unidos, o ex-presidente George W. Bush demonstrou ser um líder bem menos pró-Israel do que costuma ser classificado - até a mãe dele, Barbara Bush, segundo ele escreve, chegou a chamá-lo de "primeiro presidente judeu americano" por sempre adotar um viés favorável aos israelenses.

Além de ter aconselhado o então premiê de Israel, Ehud Olmert, a não bombardear uma instalação síria que, segundo os israelenses, integrava um programa nuclear secreto do regime de Damasco (os sírios negam), Bush também criticou a forma como Israel levou adiante a ofensiva contra a guerrilha Hezbollah no Líbano, em 2006.

Deixando claro que os israelenses estavam corretos em responder ao sequestro de dois de seus soldados, o ex-presidente afirma que "Israel perdeu uma chance de dar um duro golpe no Hezbollah e seus patrocinadores Irã e Síria. Infelizmente, eles (os israelenses) não souberam usar esta oportunidade".

"Os bombardeios atingiram alvos de questionável valor militar, incluindo lugares no norte do Líbano, bem distantes da base do Hezbollah (no sul do país)", escreve.

Bush também diz que a "provocativa visita" de Ariel Sharon à Esplanada das Mesquitas (Monte do Templo, para os judeus) em Jerusalém contribuiu para a eclosão da Segunda Intifada (levante palestino".

No capítulo Agenda da Liberdade, Bush também elogia alguns líderes árabes e indica que o problema na região seria a falta de democracia - e não um problema ligado à religião islâmica ou à cultura árabe.

"O triunfo da democracia no Líbano (na Revolução dos Cedros, em 2005) ocorreu dois meses depois de eleições livres no Iraque e a vitória do presidente (Mahmud) Abbas nos territórios palestinos. Nunca antes três sociedades árabes haviam progredido tanto na direção da democracia. O Líbano, o Iraque e os territórios palestinos tinham o potencial de servir de base para uma região pacífica", escreveu Bush.

Mesmo a vitória do Hamas nas eleições parlamentares palestinas, que não foi reconhecida pelo seu governo, é vista dentro do contexto de avanço democrático. "A verdade é que os palestinos estavam cansados da corrupção do Fatah. O Hamas conquistou 74 das 132 cadeiras (do Parlamento palestino). Muitos interpretaram os resultados como um revés para a paz. Eu discordo. O Hamas venceu com uma plataforma de governo limpo e serviços públicos eficientes, e não de guerra contra Israel."

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