Em livro, ex-reféns acusam Ingrid de ''roubar comida''

Americanos que ficaram 5 anos em poder das Farc descrevem a colombiana como arrogante e egocêntrica

Frank Bajak, Associated Press, BOGOTÁ, O Estadao de S.Paulo

27 de fevereiro de 2009 | 00h00

Três americanos que por cinco anos foram reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) estão causando polêmica com um livro que faz críticas à ex-colega de cativeiro Ingrid Betancourt. Em Out of Captivity (Livre do Cativeiro, em tradução livre) os americanos se alternam em relatos sobre os 1.967 dias nos quais estiveram em poder da guerrilha, descrevendo o tédio da selva e as marchas forçadas. Mas os relatos que mais causaram mal-estar dizem respeito a Ingrid, ex-senadora e ex-candidata presidencial colombiana, sequestrada um ano antes. Segundo o americano Keith Stansell, Ingrid era arrogante e egocêntrica, roubava comida e escondia livros, além de ter, em certa ocasião, colocado suas vidas em risco dizendo aos rebeldes que eles eram agentes da agência de inteligência americana (CIA)."Eu a observei tentar assumir o controle do cativeiro com uma arrogância descontrolada", disse Stansell, um ex-marine que, quando foi sequestrado, era empregado da Northrop Grumman, subcontratada pelos EUA para prestar serviços na Colômbia. "Alguns guardas nos tratavam melhor do que ela." Ingrid não respondeu aos pedidos da Associated Press para comentar o assunto.Stansell, de 44 anos, foi libertado em julho numa operação militar do governo colombiano juntamente com Ingrid, seus colegas americanos, Thomas Howes e Marc Gonsalves, e mais 11 colombianos. Em entrevistas, Howes e Gonsalves mostraram guardar menos rancor em relação à ex-senadora colombiana. "É incomum um ex-refém criticar publicamente alguém com quem compartilhou uma experiência tão intensa e tão traumática", diz o psiquiatra britânico Keron Fletcher, especialista em sequestros, referindo-se a Stansell. "Em geral, os reféns tendem a ficar em silêncio sobre os problemas que tiveram entre si e fazem o máximo para se apoiar mutuamente."Na selva, os cativos competiam por espaço para dormir, pelas magras rações de comida e pelo único dicionário espanhol-inglês do cativeiro. "Ingrid é uma mulher dura", disse Gonsalves, de 36 anos, que, segundo o livro, foi o que mais se aproximou da colombiana. "Ela costumava jogar duro com os guerrilheiros.Eu nunca a vi se queixar ou chorar por ficar acorrentada o dia inteiro após uma tentativa de fuga."

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