Em livro, Schroeder critica Cheney por guerra no Iraque

O ex-chanceler (primeiro-ministro) alemão Gerhard Schroeder criticou duramente o vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, em seu novo livro por "uma série de erros de julgamento" na guerra no Iraque, mas amenizou suas diferenças com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, em relação ao conflito.Em suas memórias, que chegou às livrarias nesta quarta-feira, Schroeder faz longas menções ao discurso feito por Cheney a veteranos de guerra em Nashville, Tennessee, em agosto de 2002, quando o vice de Bush sugeriu que as tropas americanas seriam recebidas por multidões em júbilo em Basra e Bagdá, e rejeitou argumentos de que a guerra criaria problemas maiores no Oriente Médio."Que série de erros de julgamento", escreveu Schroeder. "Cheney nunca teve de responder por nenhum desses erros - ou foram falsificações conscientes?"O discurso de Cheney foi considerado por muitos na época como um sinal de que o governo Bush havia decidido recorrer à força contra Saddam Hussein, alegando que ele não cumpria resoluções da ONU que o impediam de desenvolver armas de destruição em massa. Tais armas nunca foram encontradas no Iraque.A dura oposição à guerra do social-democrata Schroeder o ajudou a vencer a reeleição em 2002, mas provocou um esfriamento nas relações entre a Alemanha e os EUA.Em seu livro, "Decisões: Minha Vida na Política", Schroeder descreveu suas reuniões com Bush como amigáveis, apesar de expressar preocupação com as fortes manifestações de fé cristã do presidente americano. Schroeder disse que acredita firmemente na separação entre igreja e Estado.O ex-chanceler tem boas lembranças de Blair, apesar de ter discordado de sua decisão de entrar na guerra ao lado de Bush."O premier britânico, um homem com fortes convicções morais e de forma alguma um entusiasta da guerra, pagou e continua a pagar um alto preço pessoal por seu envolvimento nesta questão", escreveu Schroeder.O chanceler disse que nunca discutiu com Blair, "um dos destacados primeiros-ministros pós-Segunda Guerra", as razões que o levaram a decidir por participar do conflito no Iraque.

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