Em Madri, Dilma se diz preocupada com risco de invasão terrestre em Gaza

Premiê espanhol defendeu uma 'contenção da resposta' de Israel aos ataques do Hamas.

Liana Aguiar, BBC

19 de novembro de 2012 | 16h46

Na reta final de sua visita oficial à Espanha, a presidente Dilma Rousseff se reuniu nesta segunda-feira em Madri com o primeiro-ministro Mariano Rajoy, em um encontro em que ambos manifestaram preocupação com o conflito entre Israel e o Hamas, grupo palestino que controla a Faixa de Gaza.

"A possibilidade de uma invasão terrestre me preocupa", disse Dilma a jornalistas, durante entrevista coletiva no Palácio da Moncloa, sede do governo espanhol, logo depois do encontro.

"O mundo inteiro está preocupado com a radicalização do conflito. Vamos tomar todas as medidas que cabem a cada país."

Em seu discurso, a presidente disse ter expressado a Rajoy sua preocupação com a violência na Faixa de Gaza, "que tanto sofrimento já causou ao povo daquela região".

"O processo de paz entre Israel e Palestina, cujo único caminho possível é a coexistência pacífica dos dois Estados, permanece condição fundamental para a paz na região e no mundo", afirmou Dilma.

Por sua vez, Rajoy afirmou que Israel tem o direito à legítima defesa, mas também defendeu uma "contenção da resposta" para evitar mais mortes.

O líder espanhol disse ter conversado no domingo com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e transmitido a mensagem de que a diplomacia é necessária para o fim ao conflito.

Pelo menos 18 pessoas foram mortas apenas nesta segunda-feira em ataques na região, elevando para 95 o total de palestinos mortos na atual onda de confrontos. Três israelenses também foram mortos.

A violência na região se intensificou na quarta-feira, após a morte do comandante militar do Hamas, Ahmed Jabari, em um ataque aéreo israelense.

Israel afirma que a morte de Jabari e o bombardeio a Gaza são respostas aos disparos de foguetes por militantes palestinos contra seu território.

Força 'desproporcional'

No domingo, Dilma conversou com o presidente do Egito, Mohammed Mursi, que vem tentando negociar um acordo entre Israel e o Hamas.

No telefonema, Mursi disse que apreciava a preocupação do Brasil com a situação no Oriente Médio e saudou o comunicado do Mercosul sobre a questão, divulgado no sábado. Ele também afirou ser importante que o Brasil exerça sua influência no assunto, inclusive no âmbito da ONU.

Dilma também telefonou para o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, para tratar do tema.

Ela disse que são necessárias medidas "bastante efetivas e tempestivas" para lidar com a violência na região e manifestou preocupação com o uso desproporcional da força no conflito.

A presidente afirmou ainda que é importante que a ONU assuma plenamente as suas responsabilidades e reiterou que, para ela, o problema só será resolvido quando houver dois Estados consolidados. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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