Em Meca, milhões de peregrinos rezam no Monte Arafat

Os quase três milhões de peregrinos muçulmanos que viajaram este ano para Meca para cumprir um dos cinco ritos exigidos por sua religião chegaram nesta sexta-feira, 29, ao Monte Arafat, onde rezaram até o pôr do sol.O ritual da peregrinação alcançou nesta sexta seu ponto mais alto, o monte Arafat e a planície que o cerca, situados a 30 quilômetros de Meca, e que se transformaram em um caldeirão de fé onde muçulmanos de todos os cantos do mundo invocam Alá.Durante a noite, os fiéis que conseguiram vencer o sono dedicaram as horas de vigília à meditação e ao recolhimento na localidade de Mina. Após o nascer do sol começou uma lenta peregrinação, em automóveis e a pé, rumo ao monte.Este ano, as autoridades sauditas reforçaram as medidas de segurança e, para evitar acidentes, construíram uma nova rede de estradas e pontes, que facilitam a viagem dos milhões de peregrinos.Nesta sexta, as autoridades pediram aos peregrinos que não utilizem bujões de gás dentro das barracas, disponibilizadas pelas autoridades para acolher os fiéis. Além disso, dezenas de hospitais móveis foram montados em diferentes áreas para atender os peregrinos.Todos ouviram o sermão do xeque Abdelaziz bin Abdallah, rei da Arábia Saudita e presidente do organismo superior de ulemás sauditas, que dirigiu a oração do meio-dia da sexta-feira.Após o pôr-do-sol, os peregrinos começaram a avançar em direção a Muzdalifah, lugar escolhido para a realização das orações noturnas, e onde foram recolhidas as pedras que serão atiradas no sábado contra os três pilares que representam as três tentações do demônio.Segundo a tradição islâmica, o diabo apareceu para Abraão quando o patriarca islâmico levava seu filho Isaac para o sacrifício, como Deus lhe havia ordenado, e em três ocasiões tentou persuadi-lo a não matar o menino.Ao confirmar a obediência de Abraão, Deus lhe ordenou que não fizesse mal a seu filho e, em vez disso, sacrificasse um cordeiro.Os peregrinos permanecerão em Muzdalifah até a oração da alvorada, quando começará o quarto trajeto da peregrinação de volta a Mina, um dos pontos mais críticos, pois em questão de horas os fiéis devem passar inevitavelmente por algumas pontes, onde há alguns anos ocorreram trágicos acidentes.Policiais de trânsito, agentes de segurança e a guarda nacional foram postados nestes locais para evitar surpresas desagradáveis, e terão o apoio de helicópteros que monitoram o movimento dos peregrinos.Na planície que os peregrinos atravessarão, no caminho de volta para Mina, há uma coluna para cada tentação, e todo fiel deverá atirar sete pedras contra cada uma delas.Depois, muitos fiéis de Meca, seguidos por muçulmanos de todo o mundo, sacrificarão milhões de cordeiros em comemoração pelo sacrifício realizado por Abraão.Este ato dá nome ao Eid al-Adha (Festa do Sacrifício), que marca o fim da peregrinação e o começo de um período de festa no mundo islâmico, que espera impaciente o retorno dos peregrinos, que passam a adotar o título honorífico de "hajj" (peregrino).Os muçulmanos se consideram descendentes de Ismael, filho que Abraão teve com sua escrava Agar. Para eles, judeus e cristãos são descendentes de Isaac, filho legítimo do patriarca.

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