Em meio a ameaças, afegãos vão às urnas escolher presidente

Candidatos prometem encurtar os laços com o Ocidente, combater a corrupção e governar com estabilidade

CABUL, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2014 | 02h03

Os afegãos escolhem hoje em 2.º turno o candidato que sucederá a Hamid Karzai na presidência do Afeganistão. Tanto Abdullah Abdullah, ex-ministro das Relações Exteriores, quanto Ashraf Ghani Ahmadzai, que trabalhou no Banco Mundial e também foi ministro de Karzai, prometem encurtar os laços com o Ocidente, combater a corrupção e governar com estabilidade.

A expectativa de líderes locais e ocidentais é que haverá uma disputa acirrada, acusações de corrupção de ambas as partes e, principalmente, ataques de facções rebeldes.

O Taleban, que intensificou os atentados antes da votação, emitiu um novo alerta para a população ficar longe dos centros eleitorais. Forças de segurança afegãs intensificaram a presença em Cabul erguendo postos de controle, aumentando buscas nos carros e proibindo a circulação de caminhões.

As ruas da capital afegã, normalmente muito movimentadas, estavam desertas durante a semana. As autoridades fecharam escolas e repartições públicas em um esforço para controlar melhor a segurança.

Tanto Abdullah quanto Ghani prometeram manter uma relação militar próxima com os Estados Unidos e assinar o acordo de segurança com os americanos. A assinatura do pacto permitirá que 10 mil soldados americanos continuem no país por mais dois anos para conduzir operações de contraterrorismo e continuar treinando e aconselhando o Exército e a polícia.

Os EUA também têm muito em jogo nas eleições afegãs. Seria uma chance de o país - e o governo de Barack Obama - encerrar 13 anos de uma guerra impopular com uma aparência de relativa dignidade.

Karzai, que se afastou dos americanos ao longo de seus dois mandatos como presidente, rejeitou assinar o acordo militar. Com o avanço dos extremistas islâmicos em partes importantes do Iraque quase três anos depois de as tropas americanas deixarem o país, o debate em torno dessa ajuda aumentou muito.

"Se os soldados americanos deixarem o Afeganistão, a mesma coisa vai acontecer", disse ontem o religioso Ghulam Hussain Naseri durante um sermão em uma mesquita de Cabul.

No primeiro turno, em abril, Abdullah ficou na frente, com 45% dos votos válidos; Ghani ficou em segundo, com 31,6%. Desde então, os dois candidatos têm disputado o apoio de seus seis antigos rivais e dos eleitores afegãos. / AP e NYT

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