Em meio a ameaças, EUA inauguram obra para recordar seu pior pesadelo

Esquema de segurança reforçado e abertura de memorial em homenagem às quase 3 mil vítimas marcam décimo aniversário da série de atentados que pôs Washington na rota da guerra ao terror e das campanhas militares contra a rede Al-Qaeda, o Taleban e o Iraque

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2011 | 00h00

ESPECIAL: Dez Anos do 11 de Setembro             

   

NOVA YORK - Com a inauguração de um memorial em homenagem às vítimas do 11 de Setembro no Marco Zero e um reforçado esquema de segurança, os americanos celebram neste domingo em Nova York o décimo aniversário do maior atentado terrorista em território americano, responsável por quase 3 mil mortes.

Além destas vítimas, durante a guerra ao terror nesta década, 6 mil soldados americanos morreram nos conflitos no Afeganistão e no Iraque. Com um custo de US$ 4 trilhões, essas guerras, segundo estimativa da Universidade Brown, deixaram ao menos 225 mil mortos - incluindo 140 mil civis. O restante é composto por insurgentes, membros do Taleban e integrantes da Al-Qaeda. Entre eles, o líder da rede terrorista, Osama bin Laden, que morreu ao ser alvo de uma operação dos Seals, um agrupamento especial da Marinha americana, em maio.

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"Hoje, os EUA estão mais fortes e a Al-Qaeda está a caminho da derrota. Nos últimos dois anos, mais líderes da rede terrorista foram mortos do que em qualquer outro momento desde setembro de 2001. E graças à precisão e coragem das nossas forças, finalmente fizemos justiça a Bin Laden", afirmaria o presidente em seu programa de rádio deste sábado.

Na ação contra Bin Laden, foram encontrados documentos indicando que a Al-Qaeda planejava atentados contra os EUA no aniversário dos ataques contra o World Trade Center e o Pentágono. Desde a quinta-feira, o FBI, a CIA e a polícia de Nova York reforçaram ainda mais as ações antiterrorismo e estão atrás de suspeitos de um plano "crível, mas não confirmado". "Também existe o temor de que um terrorista aja isoladamente", de acordo com George Friedman, da Stratfor. O próprio presidente citou essa possibilidade recentemente.

 

Para evitar um novo ataque, a polícia de Nova York montou um gigantesco esquema de segurança no Marco Zero, onde o prefeito Michael Bloomberg receberá hoje seu antecessor, Rudolph Giuliani, Obama e o ex-presidente George W. Bush, além dos governadores e ex-governadores de Nova York e New Jersey.

Dois espelhos d"água com cascatas de mais de 3 metros de altura e os nomes das vítimas gravados nas bordas foram construídos nos locais exatos onde estavam as duas torres destruídas no atentado.

 

Os primeiros a visitar serão os familiares dos mortos nos ataques terroristas. No memorial, também haverá um museu. Dos cinco prédios do futuro WTC, apenas o 7 está pronto. Mas o de número 1 e principal já chegou ao 80.º andar e pode ser considerado hoje o edifício mais alto do distrito financeiro da cidade, devendo ultrapassar o Empire State, que fica em Midtown, antes do fim do ano.

"Já vimos as respostas políticas e militares aos atentados. Mas faltava uma resposta arquitetônica e ela deve ser dada por meio do otimismo e da liberdade. Por esse motivo, a torre terá 1.776 pés (541 metros) de altura, representando o ano da independência dos Estados Unidos", disse nesta semana o arquiteto Daniel Libeskind, responsável pelo plano do novo World Trade Center.

O evento começará às 9h28 (horário de Brasília) e o primeiro a falar hoje será o presidente, seguido por Bloomberg, Bush e as demais autoridades. Os nomes de todas as vítimas do WTC, do Pentágono e do avião na Pensilvânia serão lidos por 167 pares de parentes dos mortos. Ao redor das 14 horas (horário de Braspilia), a cerimônia seria encerrada. Em seguida, Obama e sua mulher Michelle seguiriam para o evento em Shanksville, onde caiu o quarto avião que seria usado nos atentados. No fim do dia, em Washington, eles participariam de uma homenagem às vítimas do Pentágono.

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