Tobias SCHWARZ / AFP
Tobias SCHWARZ / AFP

Em meio a avanço da covid, Berlim transforma aeroporto em centro de vacinação

Alemanha chegou a 1 milhão de casos confirmados, ultrapassou 15 mil mortes em decorrência da pandemia e começa a estruturar centros de vacinação

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2020 | 10h30

BERLIM - Em frente ao antigo aeroporto Tegel em Berlim, uma placa laranja de uma companhia aérea ainda continua a "dar as boas-vindas" aos viajantes. Mas, na verdade, em poucos dias serão as pessoas que querem se vacinar contra o covid-19 que chegarão ao local e verão a placa.

Não vai demorar muito para que o Terminal C do aeroporto, fechado no início de novembro, tenha uma nova função: em meados de dezembro, ele vai se tornar um grande centro de vacinação contra o coronavírus no país que chegou a 1 milhão de casos positivos nesta sexta-feira, 27. O objetivo é que esse antigo aeroporto permita a vacinação de até 4 mil pessoas por dia. 

Considerada exemplo de gestão durante a primeira onda da pandemia, a Alemanha foi totalmente afetada pela segunda. Agora, o país registra 15.586 mortes e decidiu estender as medidas de restrição até o início de janeiro, incluindo o fechamento de bares e restaurantes e a limitação de participantes em reuniões privadas. "Ainda temos que fazer esforços. O número de infecções diárias ainda é muito alto", disse a chanceler Angela Merkel esta semana.

A Alemanha espera receber a vacina no primeiro trimestre de 2021 e se prepara para uma operação em larga escala para implantar centenas de centros como o do aeroporto de Tegel em todo o país, além de equipes móveis.

Apesar das estruturas sendo montadas, a vacina não será obrigatória no país, segundo o ministro da Saúde, Jens Spahn. O Estado mais populoso da Alemanha, Renânia do Norte-Vestfália, já planejou 53 centros e a Baviera, pelo menos 96. O governo central garantirá a compra e distribuição das doses, e os Estados regionais fornecerão seringas, agulhas, curativos e anti-sépticos.

As autoridades regionais também devem selecionar os locais onde serão realizadas as campanhas de vacinação em grande escala: salas de concerto, salas de congressos, velódromos e pistas de patinação.

"Temos de vacinar entre 3 mil e 4 mil pessoas por dia”, explica Albrecht Broemme, responsável pela implementação destas infraestruturas em Berlim, sobre o aeroporto de Tegel. A capital alemã também escolheu para esta função outro antigo aeroporto, Tempelhof, que hospedou um abrigo para requerentes de asilo durante a crise de refugiados.

Com seis centros para a capital, o município espera vacinar "20 mil pessoas por dia", segundo o oficial de saúde de Berlim, Dilek Kalayci. O alvo prioritário serão os idosos e os mais expostos ao vírus, como o pessoal de saúde. Os centros funcionarão das 9h às 19h, todos os dias, inclusive nos finais de semana.

Com blocos de cores diferentes, Broemme construiu uma minicentro de vacinas, que inclui balcão de check-in e diversas vias de circulação no aeroporto. “Tenho refletido sobre um sistema, pensando nos espaços necessários para que não se criem 'engarrafamentos'”, diz o homem de 60 anos, ex-bombeiro e especialista em situações de emergência. O pior, para ele, seria que “as pessoas se contaminam quando vêm para se vacinar”. 

As pessoas terão que seguir um circuito, desde a verificação da identidade até o momento da vacinação, que durará alguns minutos. Antes da injeção, haverá uma consulta médica e depois o paciente será encaminhado para uma sala de espera para identificar se tudo foi feito corretamente. “Achamos que tudo isso vai durar uma hora”, diz ele.

Embora as obras do terminal C ainda não tenham começado, o acesso ao local já está fechado. Por enquanto, os serviços de saúde da cidade estão correndo para recrutar trabalhadores. Serão necessários médicos, pessoal de saúde treinado para vacinar, logística e apoio.

Também haverá seguranças, caso, por exemplo, ativistas antivacinas tentem bloquear o acesso ao prédio, cita Broemme. O país, onde existe uma carência significativa de pessoal de saúde, terá que recorrer a um máximo de pessoas: enfermeiras aposentadas, estudantes de medicina, comissários de bordo sem trabalho. "Felizmente, temos muitos candidatos e pessoas que gostariam de participar", explica Broemme. / AFP 

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