Em meio a ceticismo, Israel e palestinos voltam a negociar; Obama pede boa-fé

Após três anos de impasse, israelenses e palestinos retomaram ontem as negociações de paz diretas em Washington. A primeira decisão tomada foi a definição do calendário de discussões, que deverão durar nove meses, de acordo com o Departamento de Estado dos EUA.

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2013 | 02h08

"Trata-se do início de negociações diretas com base em um calendário de pelo menos nove meses", declarou Jennifer Psaki, porta-voz do Departamento de Estado. "Faremos todos os esforços para obtermos um acordo durante esse período, mas não se trata de uma data limite."

As negociações serão comandadas pela ministra da Justiça Tzipi Livni, no lado israelense, e pelo chefe dos negociadores palestinos Saeb Erakat, com a presença permanente de funcionários de alto escalão de ambos os governos. Pouco antes do primeiro encontro, o presidente dos EUA, Barack Obama, elogiou a retomada do processo de paz e boa-fé de israelenses e palestinos. "O mais difícil ainda está por vir e espero que, tanto israelenses quanto palestinos, tratem as negociações com boa-fé, com determinação e interesse", declarou Obama.

Para participar do diálogo, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, nomeou o diplomata Martin Indyk como novo enviado especial para o Oriente Médio. "Agradeço ao presidente Obama e ao secretário Kerry por me dar a chance de liderar as negociações", afirmou Indyk. "É um desafio assombroso, do qual não posso fugir." A retomada das negociações foi anunciada no domingo, depois que Israel aceitou libertar 104 palestinos presos há mais de 20 anos.

Ao contrário do que ocorreu nas últimas tentativas, negociadores palestinos e israelenses tratariam ontem de temas mais espinhosos que são um obstáculo a um acordo final: a questão dos refugiados, o status de Jerusalém e a fronteira do futuro Estado palestino.

O governo do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, se nega a começar as negociações com base nas fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, em 1967 - quando Israel anexou a Faixa de Gaza e a Cisjordânia -, como querem os palestinos. Os EUA defendem que haja troca de terras correspondentes aos assentamentos judaicos construídos desde então.

Desta vez, "todas as questões que estão no centro de um acordo permanente serão negociadas simultaneamente", disse o ministro israelense Silvan Shalom, do partido direitista Likud. Os palestinos, com apoio internacional, querem que seu futuro Estado tenha fronteiras semelhantes às que vigoravam antes do avanço territorial de Israel na guerra de 1967, o que inclui a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e Jerusalém Oriental.

Yasser Abed Rabbo, alto funcionário da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), disse que o convite dos EUA não informava quais disputas seriam discutidas, mas ele afirmou que a discussão começará com as questões de fronteiras e segurança. Em Israel, no entanto, há muito ceticismo sobre as negociações. "As expectativas são baixas", declarou o ex-ministro da Justiça israelense Yosi Belin. / AP, EFE e REUTERS

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