Em meio a combates, Síria fica sem internet

Regime de Bashar Assad culpa 'terroristas' por saída do ar da rede mundial de computadores

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2012 | 00h23

Duas empresas americanas de monitoramento de internet afirmaram ontem que a Síria cortou o acesso à rede mundial de computadores em todo o território nacional, após o agravamento do conflito entre o governo e rebeldes. Ativistas sírios contatados por telefone de satélite confirmaram o apagão sem precedentes. O governo sírio acusou "terroristas" - como os governistas qualificam os rebeldes - pela interrupção.

A Renesys, companhia da área de segurança que estuda problemas online, atestou que a Síria fez desaparecer o sinal da internet no começo da tarde. A Akamai Technologies, outra empresa americana que distribui conteúdo virtual, confirmou o desligamento.

Horas antes, rebeldes sírios atacaram a residência de um dos principais membros do Partido Baath, do presidente Bashar Assad. De acordo com ativistas do Observatório Sírio de Direitos Humanos, Hussein Rifai foi morto depois da explosão de um carro-bomba na cidade de Deraa. Além do político, três guarda-costas também morreram.

A agência de notícias oficial Sana informou o ataque na região, mas não indicou se Rifai estava entre os mortos.

Deraa é a cidade de origem do levante contra Assad. Rebeldes que lutam para retirá-lo do poder frequentemente buscam atingir integrantes do regime desde que a revolta começou, em março de 2011.

Os insurgentes também lançaram ataques em Wadi Daif, uma das últimas bases militares no noroeste do país que ainda está sob controle do governo, enquanto confrontos ocorreram na região de Damasco e Alepo.

Várias tropas de rebeldes juntaram forças para realizar o ataque à base militar na Província de Idlib. O Exército respondeu com fogo pesado e bombardeios, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Mais ao sul, foguetes atingiram áreas entre Al-Hajar al-Aswad e o campo de refugiados palestinos de Yarmuk na Província de Damasco.

O Observatório acrescentou que aviões do governo atacaram uma vasta zona controlada pelos rebeldes, onde a luta tem sido travada por semanas.

Em Alepo, um ataque aéreo contra dois edifícios matou pelo menos 15 civis, incluindo 5 crianças e 2 mulheres. Até o momento, mais de 40 mil pessoas já foram mortas na guerra civil. / AP

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