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Em meio a crise, Lula encontra Abbas

Protestos contra Israel marcam dia de visita de líder brasileiro a Belém; para Amorim, palestinos estão prontos para a paz

Denise Chrispim Marin, O Estadao de S.Paulo

17 de março de 2010 | 00h00

ENVIADA ESPECIAL

BELÉM

Enquanto palestinos realizavam um "dia de fúria" em Jerusalém Oriental e os EUA reforçavam sinais de descontentamento com Israel, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou ontem a Belém para reunir-se com o presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas. A delegação brasileira tentava reduzir a tensão causada pela decisão de Israel de construir 1.600 casas em território palestino.

A expansão israelense em Jerusalém Oriental não chegou a minar a confiança da AP na retomada do processo de paz. A avaliação foi exposta pelo chanceler Celso Amorim, depois do encontro entre Lula e Abbas.

Hoje, em Ramallah, os presidentes discutirão pontos mais sensíveis, como a cisão entre facções palestinas. O tema é caro a Lula, que manifestou insistentemente nos últimos meses seu interesse em mediar um diálogo entre a Fatah e o Hamas.

Ontem, a Casa Branca confirmou o cancelamento da visita do enviado para o Oriente Médio, George Mitchell, a Israel, na sexta-feira. A decisão acentuou a crise entre Israel e EUA.

Disputa. "Em briga de jacu, nhambu não entra. Não vou me meter nas discussões entre Hillary Clinton (secretária de Estado dos EUA) e Binyamin Netanyahu (primeiro-ministro de Israel)", afirmou o chanceler.

Amorim afirmou que as 1.600 novas residências israelenses em Jerusalém Oriental não se traduziu em "desespero" por nenhum dos lados. "Isso foi elemento de choque pra todo mundo. Mas não houve sensação de desespero e de abandono", disse o chanceler brasileiro. "É preciso um fato novo e respeitável pelos dois lados para que esse choque seja superado."

Para Amorim, tanto Abbas quanto Netanyahu e o presidente de Israel, Shimon Peres, mostraram-se empenhados na retomada das negociações de paz, com "graus variados de otimismo" com relação aos resultados.

A declaração de Netanyahu, diante do presidente Lula, de que manterá os planos para os assentamentos foi considerada pelo chanceler brasileiro como "um lema ou um slogan", mas não como uma novidade.

Para o assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, esse é um dos pontos de divergência que "existia antes, persiste e terá de ser trabalhado". Outro constrangimento foi a reação do chanceler israelense, Avigdor Lieberman, à suposta recusa do presidente brasileiro de fazer uma homenagem a Theodor Herzl, líder sionista.

De acordo com Garcia, tratou-se de uma resposta à negativa de Lula em receber Lieberman separadamente ? algo que não faria sentido segundo o protocolo de uma visita presidencial.

Negociação. Em discurso a cerca de 120 empresários brasileiros e palestinos, Lula afirmou que o Brasil "nunca esteve tão interessado em uma solução do conflito entre israelenses e palestinos como agora" e defendeu a necessidade de "tirar todas as pedras" para a negociação se desenrolar.

O líder brasileiro também reiterou que vai ajudar na busca de "novos mediadores", como o próprio Brasil, e de estimular uma conversa que abarque "todos os envolvidos", como o Irã e Síria. Ao se dirigir à noite ao palácio presidencial da Autoridade Palestina, Lula qualificou-se como um "otimista inveterado" e completou que acredita até mesmo na vitória do Corinthians.

Ao lado do premiê palestino, Salam Fayyad, no seminário empresarial, Lula levantou a bandeira da derrubada do muro construído por Israel nas suas fronteiras com a Cisjordânia: "A derrubada do muro será apenas o primeiro passo para reverter a asfixia da Palestina", disse.

"Essa muralha desarticula a produção interna, afasta o investimento e impede o desenvolvimento sustentável da Cisjordânia e de Gaza", acrescentou.

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