EFE/JORGE NUÑEZ
EFE/JORGE NUÑEZ

‘México nos fez de bobos’, diz Trump após falar com Peña Nieto

Declaração foi dada pelo presidente ao abordar telefonema entre os dois ontem que, segundo ele, foi muito ‘amigável’

O Estado de S. Paulo

27 Janeiro 2017 | 16h12

WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 27, que o México fez os EUA de “bobos” na área comercial em consequência do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) e, por isso, o renegociará. Ele deu a declaração durante a entrevista ao lado da primeira-ministra britânica, Theresa May, após ser questionado sobre o telefonema, mais cedo, com o presidente do México, Enrique Peña Nieto. 

A conversa entre os dois presidentes, que segundo Trump foi “amistosa”, ocorreu em meio a uma crescente crise de segurança e comércio entre eles. Na primeira semana na Casa Branca, Trump cumpriu sua promessa de campanha e assinou decreto autorizando a construção de um muro na fronteira para conter a imigração – obra que, segundo ele, será paga pelo México. O líder mexicano insiste que não pagará por nenhuma barreira e cancelou a ida a Washington prevista para a terça-feira. 

Em um comunicado, o governo do México afirmou que os dois tiveram uma conversa “construtiva e produtiva”, mas concordaram que não falarão mais sobre o financiamento do muro publicamente. “Não conversarão publicamente sobre essa controvertida questão.”

“Vamos trabalhar por uma nova e justa relação com o México. Mas os EUA não podem continuar perdendo grandes quantidades de negócios, de companhias e milhões e milhões de pessoas perdendo seus empregos”, disse. 

Trump afirmou que, por culpa de governos anteriores em Washington, o déficit comercial dos EUA com o México é de US$ 60 bilhões, o que ele quer solucionar de imediato. Para isso, o governo Trump afirmou que poderia taxar as importações do México em 20%, o que ajudaria a solucionar esse déficit e, ao mesmo tempo, pagaria o custo do muro, que pode chegar a até US$ 25 bilhões. 

A possibilidade alarmou economistas e políticos nos EUA pelo risco de o consumir americano pagar a conta no final. Deputado do Texas, o republicano Will Hurd criticou o muro e as taxas. “É a mais cara e menos efetiva maneira de reforçar a fronteira”, disse Hurd. “Segurança na fronteira, sim. Tarifas, não”, escreveu no Twitter o senador republicano Lindsey Graham, da Carolina do Sul.

“Qualquer proposta política que eleve o custo da (cerveja) Corona, tequila ou margaritas é péssima ideia”, brincou, se referindo aos produtos mexicanos. / EFE, REUTERS e AP

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