Em meio a crise, presidente do Paquistão vai para Dubai

O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, foi nesta quinta-feira para Dubai, afirmando que se trata de uma viagem particular de um dia. A viagem ocorre em meio ao aprofundamento da crise entre governo e Exército.

AE, Agência Estado

12 de janeiro de 2012 | 12h53

No início do mês passado, Zardari foi a Dubai para fazer um tratamento médico, o que deu início a rumores de que ele estivesse sendo pressionado pelos militares ou estaria fugindo de um potencial golpe. Ele voltou após algumas semanas, mas as tensões continuam a aumentar no país e há quem faça previsões sobre a iminente queda do governo.

Autoridades disseram que o presidente vai assistir a um casamento em Dubai, que ele retornará ao Paquistão na manhã de sexta-feira e que a viagem não tem ligação com a crise. As fontes falaram em condição de anonimato, porque não têm autorização para divulgar a informação.

Assim que Zardari partiu, o chefe militar general Ashfaq Pervez Kayani reuniu-se com o alto comando do Exército, afirmaram militares e meios de comunicação, fomentando as especulações sobre o próximo passo do Exército em meio à crise política.

A maioria dos analistas diz que Kayani não quer um golpe porque o Exército está combatendo militantes islamitas, o país enfrenta sérios problemas econômicos e a tomada do poder daria início a críticas nos âmbitos doméstico e internacional. Mas eles também dizem que os generais poderiam ficar felizes em permitir que o Tribunal Superior, que é hostil a Zardari, destituísse o governo se encontrar uma forma "constitucional" de fazer isso.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro demitiu o secretário de Defesa, numa rara demonstração pública de assertividade do governo civil contra o Exército, na media em que aumenta o escândalo provocado por um memorando enviado para Washington com o objetivo de pedir ajuda para conter os generais.

O tribunal, considerado aliado do Exército, investiga o assunto e também um outro, ligado a casos antigos de corrupção contra o presidente. As duas acusações poderiam ser usadas como pretexto para retirar do poder a atual liderança civil, que não demonstra sinais de que vá se curvar.

O Exército governou o Paquistão durante a maior parte das seis décadas de existência do país e ainda acredita que é o depositário legítimo dos interesses do Paquistão. Nenhum governo civil conseguiu completar um mandato. Mas o governo de Zardari, que foi democraticamente eleito em 2008, está determinado a governar até o final. As informações são da Associated Press.

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