Em meio à crise, rei da Tailândia não faz discurso tradicional

Família real afirma que monarca está doente; população aguardava por sinal de orientação na disputa política

Agências internacionais,

04 de dezembro de 2008 | 11h38

O rei da Tailândia, Bhumibol Adulyadej, não fez nesta quinta-feira, 4, seu tradicional discurso na véspera de seu aniversário porque está com infecção de garganta e indisposto, informou o príncipe Maha Vajiralongkorn, explicando o porquê da ausência do rei num momento de crise política no país. Muitos tailandeses esperavam que o rei, que completa 81 anos na sexta-feira, fizesse um pedido de unidade à nação depois que a crise chegou a tal ponto que o principal aeroporto de Bangcoc ficou fechado por uma semana, sitiado por manifestantes anti-governo. "Ontem, quando eu o vi, ele parecia bem. Ele estava comendo o que ofereciam, mas hoje ele está com infecção de garganta, então quase não consegue comer", disse o representante da família real cujos comentários foram transmitidos pela rádio nacional. O príncipe Vajiralongkorn, que discursou no lugar de seu pai, disse que o rei estava "um pouco doente". O monarca, considerado um semi-deus por muitos tailandeses, foi envolvido no centro da crise pela insistente invocação de seu nome por militantes da Aliança do Povo pela Democracia (APD). O rei interveio três vezes na política durante as seis décadas que está no trono, favorecendo tanto administrações democráticas quanto militares. Seus comentários mais recentes têm se concentrado na necessidade de unidade nacional, embora os pedidos feitos por honestidade no governo tenham sido amplamente interpretados como tendo como alvo o ex-premiê Thaksin Shinawatra, destituído em um golpe em 2006. Aeroporto A operadora aeroportuária Airports of Thailand informou que o aeroporto de Suvarnabhumi, um dos maiores da Ásia, voltará a operar com "serviços totais" às 2h de sexta-feira, dando alívio a 230 mil turistas estrangeiros após ficar desativado por uma semana por conta da ocupação por militantes da APD. A companhia aérea Thai Airways disse que operava 12 vôos no terminal, por onde passam 125 mil passageiros por dia, mas fontes disseram que outras empresas estavam sendo pressionadas a voar e estavam preocupadas com falhas de segurança. "Estamos sob enorme pressão para abrir - por parte das autoridades aeroportuárias, da indústria de turismo", disse uma autoridade de uma empresa que pediu para não ter seu nome revelado. "Mas nossas preocupações genuínas com a segurança estão sendo ignoradas". O fechamento do aeroporto já custou à economia da Tailândia, altamente dependente do turismo e das exportações, centenas de milhões de dólares.  O governo da Tailândia cancelou a sessão parlamentar especial do dia 8 de dezembro que escolheria um novo primeiro-ministro, informou um porta-voz nesta quinta-feira. "O presidente do Parlamento vai agendar uma nova data para a escolha do primeiro-ministro", disse o porta-voz Nattawut Saikuar a repórteres. Nesta semana, um tribunal tailandês tirou o ex-premiê Somchai Wongsawat do cargo e cassou seus direitos políticos por cinco anos.

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