AFP PHOTO / NICHOLAS KAMM
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Em meio a crise, Trump retoma tom de campanha em redutos que o elegeram

Com popularidade em queda, presidente americano discursa na fábrica da Boeing, na Carolina do Sul, e marca comício para hoje na Flórida, dois Estados em que venceu; intenção é mudar imagem de desorganização instalada na Casa Branca

Cláudia Trevisan / Correspondente, Washington, O Estado de S. Paulo

17 Fevereiro 2017 | 21h44

Com popularidade em queda e um início de governo marcado por crises, protestos e desorganização, Donald Trump saiu de Washington e retomou seu discurso de campanha em território amigável. Em evento em uma fábrica da Boeing nesta sexta-feira, 17, na Carolina do Sul, o presidente prometeu trazer de volta aos EUA empregos levados para outros países. Amanhã, ele participará de comício na Flórida organizado por um grupo que trabalhou por sua eleição. 

O republicano chegou à Casa Branca com o menor índice de aprovação para um líder recém-eleito e viu sua rejeição crescer antes mesmo de completar um mês no cargo. Pesquisa do Pew Research Center divulgada na quinta-feira mostrou que 56% dos entrevistados desaprovam sua gestão, enquanto 36% a veem de maneira positiva – 6% não responderam. No Gallup, a aprovação é de 40%, patamar 21 pontos porcentuais inferior à média histórica obtida por presidentes em início de mandato.

Mas os dados revelam a extrema polarização política dos EUA. Só 8% dos democratas aprovam a gestão de Trump, um índice sem precedentes entre os opositores do ocupante da Casa Branca. Em fevereiro de 2001, 31% dos democratas tinham uma avaliação positiva do presidente George W. Bush. Entre republicanos, a aprovação de Trump é de 87%. 

“Esse presidente tem uma necessidade psicológica de estar cercado por multidões que o adulam”, disse o cientista político David Cohen, professor da Universidade de Akron. Segundo ele, é inusitado que um ocupante da Casa Branca faça comícios como o de amanhã no início de seu mandato. “Normalmente, os presidentes usam este período para promover sua agenda e articular a aprovação de leis no Congresso.”

Trump enfrenta questionamentos crescentes sobre a natureza de seu vínculo com a Rússia. As suspeitas foram reforçadas pela queda de seu ex-conselheiro de Segurança Nacional, Michael Flynn, afastado na segunda-feira, depois da revelação de que discutiu sanções impostas à Rússia pelo ex-presidente Barack Obama em conversas telefônicas com o embaixador do país em Washington. 

O novo governo também sofreu desgaste com os resultados do decreto que suspendeu a entrada nos EUA de cidadãos de sete países de maioria muçulmana e de refugiados de todo o mundo. A medida afetou dezenas de milhares de pessoas e causou protestos. Uma semana depois de sua promulgação, o decreto de Trump foi suspenso pelo Judiciário. 

“O governo é um trem descarrilado”, disse Cohen. “Não houve um pior início de governo na história moderna dos EUA.” O professor observa que há diferentes polos de poder na Casa Branca, o que contribuiu para que o vazamento de informações para a imprensa atingisse um patamar sem precedentes.

No evento da Boeing, o presidente retomou as promessas marcadas pelo nacionalismo econômico que garantiram sua vitória sobre Hillary Clinton em novembro e prometeu castigar empresas que transfiram linhas de montagem a outros países com o objetivo de exportar para os EUA. Ele começou seu discurso exaltando o quanto gosta da Carolina do Sul, em razão da vitória avassaladora que teve no Estado contra Hillary.

“Nós estamos aqui hoje para celebrar a engenharia americana e a manufatura americana”, disse Trump, que visitou a Boeing para participar da apresentação do mais recente avião da empresa. “Nós também estamos aqui hoje para celebrar empregos. Empregos!” O presidente discursou em frente a um Dreamliner 787-10.

O cenário semelhante a muitos de seus eventos de campanha realizados em hangares será repetido no comício de amanhã, marcado para o aeroporto de Melbourne. Mas em vez do avião pintado com seu nome, Trump terá ao fundo o Air Force One da presidência dos EUA.

 

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