Kazuhiro NOGI / AFP
Kazuhiro NOGI / AFP

Em meio a críticas e novos casos, Japão inicia campanha de turismo doméstico

Campanha "Go To Travel" oferece subsídios de até 50% para viagens de e para várias cidades

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2020 | 10h24

TÓQUIO - O Japão lançou nesta quarta-feira, 22, uma campanha nacional de viagens que visa revitalizar a indústria de turismo, mas o esforço gerou fortes críticas, já que as principais cidades viram um aumento em novos casos de coronavírus nas últimas semanas.

A campanha "Go To Travel", apelidada de "Go To Trouble" por algumas mídias locais, oferece subsídios de até 50% para viagens de e para várias cidades, exceto Tóquio. A capital foi retirada do programa na semana passada depois que as infecções cresceram na metrópole.

Mas muitos governadores do Japão queriam que a campanha fosse adiada ou alterada por medo de que os visitantes pudessem levar o vírus para as áreas rurais com poucas infecções. Uma pesquisa de jornal Mainichi esta semana mostrou que 69% do público queria que o programa fosse cancelado. 

As críticas mostram a crescente preocupação dos japoneses com mensagens confusas de um governo que tenta impulsionar a economia e controlar o coronavírus. "Não há mudança em nossa postura para reiniciar cautelosamente a atividade econômica enquanto pedimos ao público que coopere na prevenção da disseminação do coronavírus", disse o primeiro-ministro Shinzo Abe na quarta-feira, quando questionado sobre a campanha.

No entanto, a governadora de Tóquio, Yuriko Koike, pediu aos moradores da capital que fiquem em casa durante um fim de semana prolongado de quatro dias a partir de quinta-feira. "É essencial que idosos e pessoas com doenças pré-existentes evitem passeios desnecessários", acrescentou. Muitos na indústria de viagens ficaram frustrados com o que chamam de falta de clareza por parte das autoridades.

"Está claro que o governo está lutando e estava totalmente despreparado", disse o gerente geral de um hotel de médio porte em Osaka, que pediu anonimato. "Está tão difícil obter informações sobre esse programa porque as coisas mudam muito". Outro funcionário do hotel disse que espera que a campanha melhore o setor de turismo, mas não está muito otimista.

"Tóquio é o nosso grande mercado", disse Hiroaki Gofuku, presidente e gerente geral do Hotel Nikko Osaka. "Com essa bagunça, estamos vendo mais cancelamentos".

O Japão planejava relaxar as restrições nos estádios e casas de shows a partir de 1º de agosto, permitindo que eles operassem com metade da capacidade máxima, sem o atual limite de 5 mil pessoas. Mas a data prevista será adiada para o final de agosto, disse o ministro da Economia, Yasutoshi Nishimura.

Embora o Japão não tenha sofrido a rápida disseminação que matou dezenas de milhares em outros lugares, novos casos em Tóquio e em outras cidades soaram o alarme sobre o vírus que se pensava estar sob controle. De acordo com um levantamento em tempo real da Universidade Johns Hopkins, o país teve 988 mortes e pouco mais de 27 mil casos confirmados.  / REUTERS 

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