Song Kyung-Seok/Pool via REUTERS
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Em meio à escalada armamentista da Coreia do Norte, presidente sul-coreano fala em 'fim da guerra'

Declaração ocorreu horas após a realização de um novo teste de mísseis pelo governo norte-coreano; o lançamento foi o quarto realizado em setembro

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2021 | 04h49

SEUL - O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, reforçou nesta sexta-feira, 1º, a necessidade de reconciliação na península coreana. A declaração ocorreu horas após a Coreia do Norte realizar mais um teste de lançamento de mísseis, o quarto nas últimas três semanas. 

"Estou orgulhoso de nossa forte posição de segurança. Com base nessa confiança e orgulho, espero inaugurar uma nova era marcada pela declaração do fim da guerra e da reconciliação e cooperação na península coreana", afirmou Moon Jae-in em discurso realizado no 73º Dia Nacional das Forças Armadas.

O presidente também assegurou, desta vez sem citar o país vizinho, que vai responder a qualquer ameaça à Coreia do Sul. Em sua fala, Jae-in ainda anunciou que o país deve entregar  em breve novos mísseis e submarinos capazes de lançar projéteis balísticos.

"O governo e o Exército responderão com vigor a qualquer ação que ameace a segurança e a vida das pessoas", afirmou. 

O discurso ecoa a proposta que o sul-coreano fez perante a Organização das Nações Unidas (ONU) de encerrar oficialmente o conflito entre os países —que se estende desde 1950, apesar do armistício firmado em 1953. 

Nesta semana, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, disse que não tem motivos para atacar a Coreia do Sul e demonstrou interesse em retomar relações com o país. Jong-un, porém, rechaçou qualquer aproximação com a União Europeia e os Estados Unidos, com quem o diálogo sobre desnuclearização segue parado.

"Sua ameaça política e militar hostil contra nós não mudou em nada", disse, em sessão parlamentar realizada na última quarta-feira, 29, em alusão à postura do governo do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

"Uma fachada para enganar a comunidade internacional e disfarçar suas hostilidades. Apenas uma extensão da política hostil levada a cabo por administrações anteriores dos EUA", afirmou. 

O governante também acusou os Estados Unidos e a Coreia do Sul de aplicarem dois pesos e duas medidas contra a Coreia do Norte. Jong-un pediu ainda maior tolerância em relação a seu arsenal bélico como condição para considerar o tratado de paz. O projétil antiaéreo lançado pelos norte-coreanos na última quinta-feira, 30, foi o quarto de uma sequência de testes que ocorreu ao longo das últimas semanas. 

Em setembro, o país testou projéteis de cruzeiro de longo alcance com potencial nuclear, mísseis balísticos e um míssil hipersônico.

Em resposta às declarações do líder norte-coreano, o governo Biden afirmou que não tem uma postura hostil em relação ao país e se mostrou disponível para dialogar sobre os impasses nas negociações de desnuclearização. / EFE e REUTERS

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