Em meio a escândalo, Bush dá voto de apoio ao presidente da Câmara

A preocupação em manter a maioria no Congresso nas eleições legislativas de novembro está fazendo o partido republicano se esforçar na defesa do presidente da Câmara dos Representantes, Dennis Hastert. "Ele não merece ser um bode expiatório", disse o ex-secretário de Estado James A. Baker nesta sexta-feira, 6.Hastert é acusado de não ter se esforçado o suficiente para proteger os estagiários menores de idade do assédio do ex-deputado republicano Mark Foley.O presidente George W. Bush telefonou para Hastert na quinta-feira à noite para reafirmar seu apoio. O líder da bancada majoritária do Senado, Bill Frist, tomou a mesma atitude. O ex-presidente George H.W. Bush defendeu Hastert em entrevista à rede de televisão ABC.O escândalo custou aos republicanos a simpatia da opinião pública. Um candidato republicano ao Senado telefonou sexta para Hastert para condenar sua postura. "Ele é o líder dessa instituição, e isso aconteceu bem na sua frente", disse o porta-voz de Tom Kean Jr., candidato republicano ao Senado por New Jersey.O ex-deputado Mark Foley, de 52 anos, renunciou na última sexta-feira, 29, depois de serem descobertas mensagens eletrônicas obscenas enviadas por ele para meninos menores de idade. Foley foi imediatamente internado em uma clínica de reabilitação para alcoólatras. Por meio de seu advogado, Foley disse ser gay, mas negou qualquer contato sexual com os menores.Hastert, presidente republicano da Casa, assumiu a responsabilidade pela instituição, mas ressaltou: "Não fiz nada de errado. Lamento profundamente que isso tenha acontecido."No programa de televisão "The Early Show", Baker disse que Hastert merece crédito por ter trazido a público a prova de um escândalo sexual, mesmo perto das eleições de novembro. No pleito, as duas casas do Congresso selecionam os 435 membros da Casa dos Representantes e 33 dos 100 senadores.Baker ofereceu uma razão prática para o partido republicano apoiar Hastert. "Se tirarem Denny Hastert dessa forma precipitada, logo vão ter que tirar mais gente que sabia dos assédios."O Comitê de Regras e Conduta investiga possíveis violações das regras da Casa. Na quinta-feira, o comitê aprovou quase 50 intimações para testemunhas e apreensão de documentos sobre conduta imprópria entre legisladores e atuais e ex-estagiários. A equipe vai apurar ainda quem sabia dos assédios.O presidente da Comissão de Ética, Doc Hastings, republicano de Washington, e Howard Berman, da Califórnia, vão conduzir a investigação das republicanas Stephanie Tubbs Jones, de Ohio, e Judith Biggert, de Illinois. Gravações da Comissão Federal Eleitoral mostram que Biggert recebeu US$ 7 mil no caixa da campanha de Hastert, enquanto Hastings recebeu US$ 2.500. Eles sustentam que sua relação com o republicano Hastert não afeta a condução do caso.InvestigaçãoO Departamento de Justiça abriu investigação criminal sobre o caso. A ABC News noticiou que mais três estagiários denunciaram assédio sexual de Foley por meio da Internet.O FBI convocou um ex-estagiário do Congresso de Kentucky para depor, segundo informações do chefe de gabinete de Ron Lewis, republicano que contratou o adolescente.A investigação ouviu, ainda, o ex-chefe de gabinete de Foley, Kirk Fordham, que disse ter alertado líderes do partido há três anos a respeito da conduta de Foley com os estagiários.

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