Em meio a escândalo conjugal, chefe da CIA pede demissão para Obama

Mudança. David Petraeus, um dos militares mais respeitados dos EUA e responsável pela estratégia de aumento de tropas no Iraque e no Afeganistão, apresenta carta de renúncia a Obama depois de confessar ter traído a mulher após casamento de 37 anos

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2012 | 02h05

O diretor da CIA (agência central de inteligência dos EUA), David Petraeus, um dos mais respeitados militares americanos, apresentou ontem sua carta de renúncia ao presidente Barack Obama, após reconhecer ter mantido uma relação extraconjugal. Sua amante foi identificada ontem como Paula Broadwell, autora da biografia do militar, intitulada All In.

Embora não tenha dado detalhes do caso, ele assinalou que sua infidelidade demonstra um critério "extremamente pobre" e um "comportamento inaceitável", tanto como marido quanto como líder de uma organização tão importante como a CIA. "Após ser casado por 37 anos, eu tive um caso extraconjugal. Esse tipo de comportamento é inaceitável tanto para um marido como para o líder de uma organização como a nossa", disse Petraeus.

Ele foi nomeado para dirigir a CIA em abril do ano passado para suceder ao atual secretário de Defesa, Leon Panetta. Ele tomou posse em setembro do mesmo ano, após voltar do Afeganistão, onde foi comandante da Força Internacional para a Assistência à Segurança (Isaf, na sigla em inglês), de julho de 2010 a julho de 2011. Petraeus é general reformado das Forças Armadas americanas. Antes de deixar a ativa, ele havia sido o principal responsável pelas tropas americanas no Iraque, de janeiro de 2007 até setembro de 2008, durante o governo de George W. Bush.

Em Bagdá, ele foi o responsável pela estratégia que contribuiu para a queda dos níveis de violência no país. Entre outubro de 2008 e junho de 2010, Petraeus exerceu a chefia do Comando Central dos Estados Unidos, que se estende do Quênia, passa pelo Oriente Médio e vai até o Casaquistão.

Em sua carta, Petraeus disse a Obama que "Teddy Roosevelt uma vez observou que um dos maiores presentes da vida é a oportunidade de trabalhar duro em um trabalho que vale a pena fazer. Eu sempre agradecerei a oportunidade de fazer isso com o senhor e sempre lamentarei as circunstâncias que puseram fim a esse trabalho".

Obama aceitou imediatamente a renúncia de Petraeus. O presidente destacou seu "extraordinário serviço" durante décadas ao país. "Sob qualquer medida, ao longo de sua vida, Petraeus tornou nosso país mais seguro e forte", ressaltou Obama.

Além disso, o presidente expressou sua "plena confiança" no diretor interino da agência, Michael Morell, e nos "homens e mulheres da CIA que trabalham diariamente para manter o país a salvo". "Meus pensamentos e orações estão com Dave e sua mulher Holly, que fez tanto para ajudar as famílias dos militares. Desejo-lhes o melhor nesse momento difícil", disse Obama.

Ao reconhecer que teve um caso extraconjugal, Petraeus, de 60 anos, viu-se diante do pior dos cenários para o chefe de uma agência de espionagem. Entre os espiões, casos fora do casamento são pecados mortais, já que a regra básica no meio é evitar chantagem.

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