Em meio a escândalo, presidente do Congresso paraguaio renuncia

Político é suspeito de ter 'vendido' apoio de seu partido para candidatura do liberal Efraín Alegre à presidência do país

ROBERTO SIMON , ENVIADO ESPECIAL / ASSUNÇÃO, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2013 | 02h01

A cinco dias das eleições no Paraguai, o presidente do Congresso do país, Jorge Oviedo Matto, renunciou ao cargo, após ter seu nome envolvido em um milionário esquema de corrupção. A troca de acusações e denúncias dominou, desde o início, a campanha presidencial paraguaia, mas a queda de Oviedo Matto surpreendeu políticos e analistas. Ninguém ousava ontem prever se isso afetará o resultado da votação, no domingo.

O presidente do Congresso é acusado de ter "vendido" o apoio de seu partido, a União Nacional dos Cidadãos Éticos (Unace), ao candidato à presidência pelo Partido Liberal, Efraín Alegre. A Unace era liderada pelo general Lino Oviedo até fevereiro, quando ele morreu em um acidente de helicóptero. O Estado paraguaio, atualmente sob o governo dos liberais, teria comprado uma propriedade de US$ 15 milhões da família de Matto na Semana Santa. Dias depois, os oviedistas começaram a pregar o "voto útil" no candidato liberal, contra o colorado Horacio Cartes.

"Não há dúvida de que a aliança entre a Unace e os liberais é nebulosa, mas ninguém esperava a queda do presidente do Congresso na reta final da campanha", disse ao Estado o sociólogo José Carlos Rodríguez, da Universidade Católica de Assunção. Segundo ele, o tema da corrupção "monopolizou" a campanha, sem dar lugar a um real debate sobre programas de governo.

'Perseguição'. A saída de Oviedo Matto foi anunciada pelo seu sucessor no cargo, o liberal Alfredo Jaeggli, dizendo que seu colega - e, agora, aliado - quis se afastar do poder em nome da "transparência". Oviedo Matto disse ser vítima de "perseguição política". A lei paraguaia proíbe pesquisas de intenção de voto em semana de eleição. O favorito durante a campanha foi Cartes, mas as últimas sondagens apontavam para vários cenários. Poucos no Paraguai levam a sério as pesquisas.

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