Em meio a escândalo, secretário americano rejeita renúncia

O secretário de Justiça dos Estados Unidos, Alberto Gonzales, aceitou nesta terça-feira, 13, a responsabilidade por erros cometidos na maneira como o seu departamento conduziu a demissão de oito procuradores federais no final do ano passado. Ainda assim, Gonzales rejeitou os pedidos por sua renúncia. Segundo membros do Partido Democrata (oposição), as demissões de oito procuradores anunciadas em dezembro passado tiveram motivações políticas. De acordo com alguns dos demitidos, legisladores republicanos vinham pressionando para que eles apressassem investigações sobre a suposta participação de democratas na realização de votações fraudulentas. Em reportagem publicada nesta terça-feira, o jornal americano New York Times afirma que a Casa Branca esteve profundamente envolvida na decisão que resultou na demissão dos procuradores. Após a revelação, a administração admitiu que Bush manteve conversas com Gonzales com o objetivo de passar adiante as reivindicações de legisladores republicanos que estariam preocupados porque alguns procuradores não se pronunciaram contra as supostas fraudes promovidas por democratas.Durante uma coletiva de imprensa nesta terça-feira no Departamento de Justiça, Gonzales disse que pretende descobrir porque o Congresso não foi avisado previamente sobre as conversas entre a Casa Branca e o Departamento de Justiça sobre a possibilidade de demissão dos procuradores. Ainda assim, o secretário manteve sua posição de que a ação contra os procuradores foi apropriadas. "Eu sustento a decisão e acho que foi a coisa certa", disse ele.Casa BrancaA revelação de que a Casa Branca esteve envolvida na demissão dos procuradores ampliou a polêmica em torno do caso porque o vice-secretário de Justiça, Paul McNulty, havia afirmado sob juramento que a decisão fora tomada exclusivamente pelo departamento. Segundo ele - que falou a legisladores - a ação foi baseada na performance dos procuradores, e não teria razões políticas. E-mails divulgados nesta terça-feira, entretanto, não deixam dúvidas de que as demissões foram discutidas por ao menos dois anos entre funcionários do Departamento de Justiça e da Casa Branca. "Obviamente estou preocupado com o fato de que informações incompletas possam ter sido passadas para o Congresso", disse Gonzales. Mais cedo nesta terça-feira, Gonzales aceitou a renúncia de seu principal assessor, Kyle Sampson. Chefe de gabinete do secretário, ele foi acusado de ter falhado em passar informações a outros membros do departamento sobre suas conversas acerca das demissões com a ex-conselheira da Casa Branca Harriet Miers.ProvasUma troca de e-mails entre Sampson e Miers indica que os dois membros da administração começaram a considerar as demissões há cerca de dois anos. Em um e-mail para Miers datado de 13 de setembro de 2006, Sampson lista o procurador Bud Cummins, de Little Rock, no Arkansas, como "dentro do processo para ser expulso". Na mesma mensagem, outros cinco procuradores eram indicados como "passíveis de serem expulsos".Cerca de quatro meses depois, entretanto, o Departamento de Justiça ainda esperava a aprovação da Casa Branca para as demissões. "Continuo esperando pela luz verde da Casa Branca", escreveu Sampson em 2 de dezembro de 2006 em um e-mail para Michael Elston, o principal assessor de McNulty.A Casa Branca respondeu pouco tempo depois, autorizando a medida. JustificativaSegundo o porta-voz da Casa Branca Tony Snow, o presidente, George W. Bush, nunca pediu a demissão de um procurador americano ao Departamento de Justiça. Ainda assim, ele argumentou que os contatos entre membros da administração e do departamento sobre a preocupação acerca da performance de vários procuradores foi apropriada. "Se alguém se diz preocupado com alegações de fraudes em votações e nós não a passamos a diante, imagine o tipo de especulações que teríamos?", disse Snow. "Você não está fazendo recomendações, não está fazendo pressão, não está dizendo ´demita alguém!´", concluiu.

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