Em meio a escândalos, chefe de governo espanhol propõe medidas anticorrupção

Iniciativas abordam controle financeiro dos partidos políticos, exercício da atividade dos dirigentes e adoção de medidas penais

O Estado de S. Paulo

27 de novembro de 2014 | 12h42

MADRI - O chefe de governo da Espanha, Mariano Rajoy, anunciou nesta quinta-feira, 27, novas propostas para lutar contra a corrupção no país, após a divulgação de vários casos que envolvem dirigentes políticos, um dos quais provocou na quarta-feira a renúncia da ministra da Saúde, Ana Mato.

Ao apresentar as novas medidas no Parlamento, Rajoy reconheceu que os casos de corrupção criam um clima que às vezes se torna "irrespirável" e disse que compartilha a indignação dos espanhóis.

Os escândalos afetaram nos últimos meses desde líderes dos principais partidos políticos, sindicatos e organizações empresariais e financeiras, até dirigentes do mundo do esporte e conhecidos artistas, assim como membros da Casa Real.

A última crise provocou ontem a renúncia de Ana Mato, após o juiz da Audiência Nacional Pablo Ruz considerar que a ministra estava envolvida em crimes supostamente cometidos por seu ex-marido e ex-prefeito do Partido Popular (PP), Jesús Sepúlveda.

As iniciativas de Rajoy abordam o controle financeiro dos partidos políticos, o exercício da atividade dos dirigentes, a adoção de novas medidas penais e processuais e outras relacionadas ao parlamento espanhol.

Rajoy propôs, entre outras coisas, a proibição das doações de pessoas jurídicas aos partidos e que os bancos perdoem dívidas de legendas políticas.

O chefe de governo sugeriu ainda que os órgãos de direção dos partidos se renovem a cada quatro anos, coincidindo com o ciclo eleitoral, e que qualquer filiado investigado por corrupção seja suspenso.

Além disso, os líderes dos partidos políticos não poderão ter antecedentes criminais por determinados delitos.

Rajoy também propôs reformas legais para investigar e condenar com mais eficácia políticos corruptos, e modificar algumas normas do Congresso para acrescentar transparência às atividades dos parlamentares.

"Não viemos lutar contra o fantasma da corrupção generalizada porque isso não existe. Me importa muito a injustiça e não posso aceitar que a suspeita de corrupção se estenda a todos os políticos", afirmou. / EFE

 

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