Em meio a impasse sobre moção, EUA criticam Irã

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2011 | 00h00

O Irã foi acusado ontem pela secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, de apoiar a repressão do regime de Bashar Assad contra opositores na Síria. A afirmação ocorre em meio ao aumento do esforço americano e de seus aliados europeus para convencer Brasil, Índia e África do Sul a votar em favor de uma resolução no Conselho de Segurança da ONU condenando a repressão a manifestantes pró-democracia no país árabe.

"Hoje, na Síria, o Irã está apoiando o regime de Assad em seus violentos ataques contra manifestantes pacíficos e em ataques contra suas próprias cidades", disse Hillary, que lembrou ainda do aniversário de dois anos dos protestos pós-eleitorais contra o presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Impasse. Do lado europeu, o chanceler francês, Alain Juppé, reconheceu que a ofensiva diplomática na ONU ainda não atingiu o resultado esperado. "A China e a Rússia ameaçam exercer o seu poder de veto. Mesmo assim, colocaremos o texto condenando o regime sírio para ser votado quando conseguirmos 11 votos", disse Juppé. "Precisamos ainda convencer Brasil, África do Sul e Índia. Então, veríamos se os russos e chineses vetariam a resolução." Os países ocidentais não contam com o apoio do Líbano, por causa de sua proximidade com a Síria.

Até agora, o Brasil vem mantendo a cautela e não declara apoio à resolução. A avaliação do Itamaraty é a de que o texto não contribuiria para a solução da crise e poderia abrir portas para a aplicação de sanções econômicas e até uma intervenção militar.

Americanos, britânicos e franceses dizem que o argumento não faz sentido. Segundo diplomatas desses dois países, houve o cuidado de não incluir sanções econômicas na resolução justamente para atrair o apoio de brasileiros, indianos e sul-africanos, além de evitar o veto de Moscou e Pequim. As potências ocidentais já possuem os nove votos necessários, mas consideram fundamental o apoio de nações emergentes e democráticas para dar mais legitimidade ao texto. C

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.