AP Photo/Evan Vucci
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Em meio a impeachment, Trump pede que China investigue família de Biden

CNN diz que presidente ligou para Xi Jinping; Biden se defende e diz que presidência republicana se caracteriza pelo 'abuso de poder'

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2019 | 15h14
Atualizado 04 de outubro de 2019 | 06h04

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu publicamente nesta quinta-feira, 3, para a China investigar os negócios de Hunter Biden, filho do ex-vice-presidente e pré-candidato democrata à presidência, Joe Biden, no país. Desde a semana passada, Trump é alvo de um inquérito de impeachment que investiga um pedido semelhante feito por ele, por telefone, ao presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski.

"A China deve iniciar uma investigação sobre Biden. O que aconteceu na China é tão ruim quanto o que aconteceu na Ucrânia", disse Trump aos jornalistas na Casa Branca, antes de seguir para a Flórida onde participará de um ato de campanha.

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O republicano afirmou que certamente poderia pedir ao presidente chinês, Xi Jinping, que iniciasse uma investigação sobre a atividade de Hunter Biden no país.

"Eu não fiz isso, mas certamente é algo em que podemos começar a pensar", insistiu o presidente. Trump também recomendou a Zelenski para que inicie uma investigação sobre o comportamento de Biden. 

Horas mais tarde, a CNN revelou que, no dia 18 de julho, Trump mencionou Biden em um telefonema para Xi. Os democratas estariam tentando obter a transcrição da conversa, que teria sido armazenada em um servidor secreto, exatamente como foi feito com o diálogo com Zelenski.

O acordo entre Trump e Zelenski foi elaborado por Gordon Sondland, embaixador dos EUA na União Europeia, e Kurt Volker, enviado americano à Ucrânia, que pediu para deixar o cargo na semana passada. Nesta quinta-feira, em depoimento de 9 horas na Câmara dos Deputados, a portas fechadas, Volker disse que alertou aos s ucranianos que não deveriam se meter na eleição americana.

Suspeita de suborno de empresário chinês

Em uma entrevista em julho à revista The New Yorker, Hunter se defendeu contra as acusações de ter aceitado suborno de um magnata chinês.

De acordo com a publicação, o filho do ex-vice-presidente ofereceu ao empresário chinês Ye Jianming "usar seus contatos" quando estava no conselho do Programa Mundial de Alimentos dos EUA para ajudar a identificar oportunidades de investimento para sua companhia.

Hunter Biden explicou que Ye lhe enviou um diamante de 2,8 quilates (avaliado em cerca de US$ 80 mil), que o filho do ex-vice-presidente diz ter dado aos seus sócios.

O apelo de Trump à China foi particularmente impressionante, dado que Washington e Pequim travam uma guerra comercial amarga iniciada pelos Estados Unidos e que tem prejudicado o crescimento econômico global. Eles devem realizar outra rodada de negociações nos Estados Unidos na próxima semana. 

Após as declarações de Trump, a vice-gerente de campanha de Biden, Kate Bedingfield, disse em comunicado que Trump está “se agarrando desesperadamente a teorias da conspiração que foram desmascaradas” e “agora, com seu governo em queda livre, Donald Trump está se debatendo e derretendo na televisão nacional”.

Biden se manifestou sobre a acusação e atacou Trump, em resposta. "A característica definidora da presidência de Donald Trump é o contínuo abuso de poder, uma grotesca seleção de mentiras sobre a verdade e sobre si mesmo diante do país", apontou o democrata, em comunicado.

"Não pode ser mais transparente: Donald Trump está aterrorizado que Joe Biden o vença com facilidade", diz o texto.

Atualmente, o ex-vice-presidente, que está na ala de centro do partido, lidera as pesquisas para ser o candidato do Partido Democrata, na frente dos senadores Bernie Sanders e Elizabeth Warren, dos setores mais progressistas da legenda.

 

Impeachment de Trump avança na Câmara

O processo de impeachment ganhou rapidez na Câmara depois que  presidente da Comissão de Inteligência da Câmara dos Deputados, o democrata Adam Schiff, acusou  o secretário de Estado,  Mike Pompeo, de tentar obstruir a investigação. 

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Schiff e outros democratas líderes das comissões de Relações Exteriores e de Supervisão e Reforma no Congresso encarregados de investigar processos políticos contra o presidente ameaçaram forçar a Casa Branca a fornecer documentos relacionados com o caso da Ucrânia.

Eles anunciaram que enviarão formalmente uma convocação ao Executivo na sexta-feira para que entregue esses documentos, se não cumprirem a solicitação de modo voluntário até lá.

Funcionário entrega documentos à deputados

O inspetor-geral do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Steve Linick, entregou para comissões do Congresso documentos sobre casos recentes de possíveis retaliações políticas contra funcionários de carreira envolvendo o caso da Ucrânia, informaram duas fontes familiarizadas com o assunto.

O relato de Linick faz parte do inquérito de impeachment conduzido pelos democratas na Câmara dos Deputados para determinar se Trump pediu ajuda de Kiev para investigar Biden.

 

 

Sinal verde para venda de armas

Ainda nesta quinta-feira, o governo americano anunciou a aprovação de uma venda de mísseis antitanque à Ucrânia, discutida no telefonema em julho. O Departamento de Estado informou oficialmente ao Congresso sobre a intenção da administração de proceder com a venda de 150 mísseis Javelin por US$ 39,2 milhões, segundo indicou um comunicado.

Nova denúncia afeta ainda mais o presidente 

Uma nova denúncia anônima pode afetar ainda mais a imagem do presidente. Um funcionário da Receita Federal dos EUA afirmou que um outro funcionário, indicado por Trump, no Departamento do Tesouro, tentou interferir em auditoria na declaração do imposto de renda do presidente. 

Segundo o Washington Post, o delator, que não foi identificado, disse que apresentou, em 29 de julho, uma queixa aos comitês fiscais do Congresso e ao inspetor-geral do Departamento do Tesouro relatando a pressão que sofreu. O auditor fiscal afirmou ao jornal que a sua denúncia não tinha motivação política e disse acreditar que funcionários públicos têm de ser “imparciais”. 

O governo considerou a denúncia “frágil”, pois seria baseada em evidências de “segunda mão”. Tanto o Departamento do Tesouro quanto inspetor-geral não comentaram o caso. Já os democratas, que já tinham a informação agora tornada pública pelo auditor, analisam a possibilidade de acionar a Justiça para investigar o caso. O senador republicano Chuck Grassley, que preside a Comissão de Finanças do Senado, também não quis falar sobre a queixa. / REUTERS, EFE, AFP e NYT 

 

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