Em meio à incerteza, ruas de Caracas têm vigília pelo presidente

Cenário: Christopher Toothaker / AP

O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2013 | 02h04

Os venezuelanos começaram 2013 com uma relativa tranquilidade em meio às notícias confusas sobre a saúde do presidente Hugo Chávez, que não é visto em público desde que embarcou para sua quarta cirurgia contra um câncer, três semanas atrás. Desde então, pouco se informou ao povo da Venezuela sobre as condições de seu mandatário.

O país permanecia em paz ontem, depois que uma celebração de ano-novo patrocinada pelo governo foi cancelada por causa da doença de Chávez. Jorge Rodríguez, aliado de Chávez e prefeito de um distrito de Caracas, reiterou que o presidente está passando por "um complexo processo pós-operatório".

O clima de tranquilidade foi pontuado por sinais de preocupação e manifestações com pedidos por melhoras de aliados e cidadãos comuns.

Na Praça Bolívar, centro de Caracas, apoiadores do presidente tocavam violões e declamavam poesias de homenagem a ele na noite de segunda-feira. Muitos passaram a madrugada em vigília na praça, segurando fotografias do presidente, flores e velas acesas.

Cerca de 300 pessoas participaram da missa organizada para pedir pela saúde de Chávez. "Este país estaria terrível sem Chávez. Ele é o presidente dos pobres", disse Josefa Carvajal, uma faxineira aposentada de 75 anos que participava da celebração religiosa. "Dizem que o presidente está muito doente. Acredito que vai melhorar", afirmou.

Assessores de Chávez e outros funcionários do governo também participaram de uma missa organizada no Palácio de Miraflores, sede do governo na capital. As autoridades presentes pediram aos venezuelanos que mantenham o presidente em suas orações.

Aproveitando a concentração popular na Praça Bolívar, o deputado chavista Earle Herrera fez uma declaração pública sobre o presidente que "continua lutando a batalha que precisa lutar". "Ele é um presidente invicto e continuará assim", declarou em um pronunciamento emotivo.

Em outras ruas da capital, cartazes com imagens de Chávez sorrindo e saudando multidões foram espalhados em outdoors. Muros foram pintados com frases como "Força, Chávez!" e outras mensagens de apoio. Cartazes pagos pelo governo e afixados em bairros residenciais exibem fotos do governante com a frase "Você também é Chávez!".

A televisão estatal venezuelana transmitiu ontem vídeos feitos durante a campanha de Chávez à reeleição. Em um deles, o presidente termina com um grito: "Eu sou uma nação!".

Apesar das mensagens de incentivo e do discurso de otimismo incentivado pelo governo, o pessimismo com o estado de saúde de Chávez atinge até alguns de seus apoiadores.

Norelys Araque, uma vendedora de bolos que trabalhava em uma calçada da capital na segunda-feira, disse estar rezando pelo presidente constantemente. "Mas não acho que ele vá durar muito", afirmou.

Norelys diz que sua família foi beneficiada por um programa estatal de subsídio ao mercado de alimentação e também por incentivos sociais à educação. A esperança, diz ela, é que um futuro governo sem Chávez mantenha os benefícios.

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