Em meio a lágrimas e abraços, mais brasileiros retornam do Líbano

Abraços, choros, risos e beijos. Assim foram recepcionados os 69 brasileiros e oito libaneses trazidos do Líbano por um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) que desembarcou nesta terça-feira no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.Entre os familiares que esperavam no aeroporto, o clima era de alívio e revolta. Kaothar Maouallem, libanesa que há 30 anos vive no Brasil, esperava aflita a filha grávida de sete meses e a neta no aeroporto. "Parece que a humanidade está assistindo a um filme de terror de Hollywood", desabafou. Testemunha de outras guerras em sua terra natal, ela considera esta a mais destrutível de todas. "Na guerra de 1967, eu estava lá. E na de 1975 , resolvi vir para cá. O Líbano agüentou 20 anos de guerras. Esta última destruiu o país." Porém, a revolta se transformou em alívio quando a filha e a neta chegaram. Outro que esperava por parentes era Durie Alamedine. Primo de duas passageiras - Hala Ahmad, de 18 anos, e Guinwa Ahmad, de 14 -, ele disse que as jovens foram a passeio ao Líbano e que ambas ficaram assustadas, pois nunca tinham visto de perto uma guerra. "(Elas) ficaram desesperadas porque a mãe delas tinha voltado para cá antes da guerra começar", informou.Ilha cercada de bombasA passageira Valdelice Nunes Leguth, cuja filha é casada com um libanês e mora no Líbano, disse que viveu momentos de terror em Beirute. Ela descreveu a capital libanesa como uma "ilha cercada por bombas em todos os lados". "Não tínhamos como sair. Meu passaporte estava vencido e minha filha tinha que passar com os filhos. Eles ficaram na Síria e eu consegui fugir, graças a Deus", contou, emocionada, Valdelice.Outra que desembarcou nesta terça-feira foi Fátima Ghazal. Moradora do Vale do Bekaa há vinte anos, ela descreveu o que se passa no país. "Eles (o Exército israelense) estão matando gente comum, o que dá muito medo. As bombas caiam até nos caminhões de ajuda." Fátima, juntamente com seu marido e suas três filhas, todas nascidas no Líbano, passaram por perigos enquanto pediam ajuda. "Quando estávamos indo ao consulado, uma bomba explodiu atrás de nós", contou a mulher. O alívio de pisar no Brasil só não é total porque vários parentes seus continuam correndo perigo. "Metade da nossa família ainda está lá", contou. Mais aviõesO Itamaraty afirmou nesta terça-feira que aproximadamente 820 brasileiros que estão no Líbano chegarão ao Brasil até o próximo domingo, 30. A estimativa baseia-se nos três aviões da FAB que sairão de Adana, na Turquia, e nos outros dois da TAM que partirão de Damasco, na Síria. Até agora, a FAB já trouxe ao País 325 pessoas.Cerca de 1.095 brasileiros já saíram do Líbano desde que as ofensivas entre militantes do Hezbollah e tropas do Exército israelense se iniciaram, em 12 de julho. Desse total, 330 foram transportados por ônibus disponibilizados pelo governo brasileiro.Na quarta-feira, quatro ônibus partirão de Beirute em direção a Adana e outros 10 sairão do Vale do Bekaa com destino a Damasco.Colaborou Paulo Toledo Piza

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.