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Em meio a lentidão da vacinação na UE, Itália fecha acordo para produzir Sputnik V

Acordo entre fundo soberano russo e empresa farmacêutica suíça foi confirmado pela Câmara de Comércio Itália-Rússia, mas produção ainda depende da aprovação de reguladores italianos; agência da UE diz que ainda não há previsão de aprovar a Sputnik V

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2021 | 09h00
Atualizado 09 de março de 2021 | 11h21

MOSCOU - A vacina russa Sputnik V contra covid-19 será produzida na Europa. Um acordo comercial para produzi-la na Itália foi assinado pelo fundo soberano RDIF, com sede em Moscou, e a empresa farmacêutica suíça Adienne. O acordo ainda precisa da aprovação dos reguladores italianos, mas foi confirmado tanto por russos quanto pela Câmara de Comércio Itália-Rússia. A Sputnik V já foi autorizada por 46 países.

A decisão é a mais recente evidência de que vários países-membros da União Europeia não estão dispostos a esperar que o próprio regulador do bloco - a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) - conceda sua aprovação à Sputnik V. Enquanto isso, Christa Wirthumer-Hoche, integrante da direção da EMA, afirmou que a aprovação da vacina Sputnik V "não é previsível" no momento. 

"A apresentação dos dados e a comunicação é muito difícil", disse a especialista, que foi criticada por russos após desaconselhar no domingo em um debate televisivo na Áustria que os países da UE permitam o uso dessa vacina sem a aprovação da EMA. "Desaconselho firmemente a aprovação de uma autorização de emergência nacional", afirmou na ocasião.  

“Exigimos um pedido público de desculpas de Christa Wirthumer-Hoche, da EMA, por seus comentários negativos que levantaram questões sérias sobre uma possível interferência política na análise", reagiram os desenvolvedores da Sputnik V no Twitter. Porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov respondeu que a declaração de Wirthumer-Hoche era "lamentável e inadequada".

O imunizante também foi aprovado ou está sendo avaliado para aprovação em outros três Estados-membros da UE - Hungria, Eslováquia e República Checa. Autoridades do bloco europeu disseram que Bruxelas poderia iniciar negociações com um fabricante de vacinas se pelo menos quatro países solicitarem.

Vacinação lenta 

A UE acreditava que havia se preparado bem para a campanha de vacinação ao encomendar 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca e selar acordos com outras empresas para mais 2 bilhões de doses. Mas dificuldades logísticas fizeram a campanha ser muito lenta em todos os países, o que fez com que alguns realizassem imunizações paralelamente e adotassem medidas de iniciativa própria.

Quanto à vacina russa, cientistas dizem que a Sputnik V foi quase 92% eficaz, com base em resultados de testes em estágio final revisados ​​por pares publicados no jornal médico The Lancet no mês passado.

A Câmara de Comércio Itália-Rússia disse em um comunicado divulgado na segunda-feira, 8, um feriado na Rússia, que a medida abriu o caminho para a criação da primeira unidade de produção do Sputnik V na Europa. A instituição disse que há planos para o início da produção italiana em junho e que espera que 10 milhões de doses da Sputnik V possam ser produzidas lá até o final do ano.

"Este acordo é o primeiro do tipo com um parceiro europeu", disse Vincenzo Trani, chefe da Câmara, em comunicado. "Pode ser considerado um acontecimento histórico, o que comprova o bom estado das relações entre os nossos países e mostra que as empresas italianas podem ver além das diferenças políticas." A Adienne Pharma & Biotech, sediada em Lugano, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Kirill Dmitriev, chefe do RDIF, que comercializa o Sputnik V internacionalmente, disse ao canal de televisão italiano RAI 3 no domingo que muitas regiões italianas estavam ansiosas para produzir a vacina e que a RDIF havia firmado um acordo com a Adienne para produzir a Sputnik na Itália.

"O que estamos oferecendo é uma verdadeira parceria de produção que criará empregos na Itália, e você pode controlar o produto, porque será produzido na Itália, e este produto pode não só salvar muitas vidas na Itália, mas pode ser exportado", disse.   / AFP, EFE e REUTERS

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