Em meio a manifestações, 4 ministros do Egito renunciam

Os ministros do Turismo, Meio Ambiente, Comunicações e Assuntos Jurídicos do Egito deixaram seus cargos nesta segunda-feira, informou um graduado integrante do governo à agência France Presse. Os quatro entregaram juntos suas cartas de renúncia ao primeiro-ministro Hisham Qandil, disse a fonte.

Agência Estado

01 de julho de 2013 | 10h00

Manifestantes contrários à Irmandade Muçulmana, da qual faz parte do presidente egípcio Mohammed Morsi, ocuparam a sede do grupo na manhã desta segunda-feira, no seguido dia consecutivo de manifestações, depois de milhões de pessoas terem saído às ruas no domingo exigindo a renúncia de Morsi.

Quatro pessoas morreram e 45 ficaram feridas no cerco à sede da Irmandade, segundo a agência estatal de notícias, citando o Ministério da Saúde egípcio. Imagens dos ataques mostram jovens retirando móveis e material de escritório do prédio, que na manhã desta segunda-feira estava praticamente vazio e com as janelas quebradas.

O grupo Tamarod (que significa rebelde), que liderou uma campanha pedindo a renúncia de Morsi, ofereceu um ultimato ao presidente na manhã desta segunda-feira: ou ele deixa o cargo até as 17h de terça-feira e "deixa o poder para as instituições estatais egípcias, para que organizem eleições antecipadas" ou o grupo vai "iniciar a convocação para desobediência civil".

O comunicado não especificou o que exatamente desobediência civil significaria na prática e não estava claro, na manhã desta segunda-feira se outros grande grupos opositores participariam da convocação do Tamarod.

Com exceção dos saques à sede da Irmandade Muçulmana e confrontos em cidades menores do Egito, os principais protestos de domingo no Cairo foram pacíficos. Mas a violenta invasão aos escritórios da Irmandade expuseram a falta de liderança dos protestos contra Morsi. Políticos de oposição e ativistas parecem ter pouco controle sobre os vândalos que atacaram o prédio.

Já a liderança da Irmandade afirmou que vai defender seus escritórios se eles forem atacados. Vídeos do ataque gravados na madrugada mostram atiradores invisíveis, supostamente partidários da Irmandade, disparando contra as pessoas que atacavam o local a partir das janelas do prédio. A autenticidade das imagens não pôde ser confirmada.

Os ataques revelam o crescente isolamento da Irmandade. Policiais há haviam declarado aos meios de comunicação locais, semanas antes, que não protegeriam escritórios de partidos políticos de ataques violentos. Na verdade, alguns policiais se uniram aos manifestantes contra Morsi no domingo.

Pelo menos 16 pessoas morreram durante os protestos de domingo, dentre elas oito em confrontos entre opositores e partidários de Morsi, informou o Ministério da Saúde nesta segunda-feira. Outras três pessoas morreram na província central de Assiut. Houve uma morte em cada uma das províncias de Fayoum, Beni Sueif e Kafr el-Sheikh

Um manifestante morreu sufocado na manifestação do lado de fora do palácio presidencial, no Cairo, e outro por causa dos ferimentos sofridos na cidade costeira de Alexandria, informou o ministério. Fonte: Dow Jones Newswires.

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