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Em meio a massacre, Nobel da Paz renuncia à vice-presidência no Egito

Diplomata rompe com governo interino por divergir de violência usada contra Irmandade Muçulmana

O Estado de S. Paulo,

14 de agosto de 2013 | 13h05

CAIRO - O vice-presidente interino do Egito, Mohamed ElBaradei, renunciou ao cargo nesta quarta-feira, 14,  depois de forças de segurança do país dispersarem com violência os acampamentos montados por partidários do presidente deposto, Mohamed Morsi.

Os confrontos entre a polícia e os partidários de Morsi deixaram pelo menos 149 mortos e 870 feridos, de acordo com o Ministério da Saúde. A Irmandade Muçulmana, do presidente deposto, chama a ação das forças de segurança de "massacre".

Em carta-renúncia enviada ao presidente interino, Adli Mansour, ElBaradei disse que "os beneficiários do que aconteceu hoje são aqueles que pedem por violência, terrorismo e os grupos mais extremistas".

"Como você sabe, eu acreditava que havia maneiras pacíficas de encerrar este confronto na sociedade, havia soluções propostas e aceitáveis... que nos levariam ao consenso nacional", escreveu. "Ficou difícil para mim continuar a ter responsabilidade por decisões com as quais eu não concordo e cujas consequências eu temo. Não posso carregar a responsabilidade por um derramamento de sangue."

Mais cedo, o governo do Egito declarou estado de emergência no país pelo período de um mês. Episódios de violência são registrados em todo o país após a repressão a partidários do presidente deposto Mohamed Morsi.

Houve relatos de ataques de grupos islamistas a igrejas cristãs coptas em várias províncias do sul do país, que seriam uma retaliação à ofensiva do Exército contra a Irmandade Muçulmana.

Os confrontos se espalharam para outras cidades, como Alexandria e Fayoum, onde 9 pessoas morreram. Ali, Partidários de Morsi atacaram pelo menos duas delegacias de polícia e incendiaram veículos policiais em frente a uma delas, disseram testemunhas./ AP

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