Sergei Chuzavkov/AP
Sergei Chuzavkov/AP

Em meio a nova onda anti-nuclear, Ucrânia marca 25 anos desde Chernobyl

Protestos contra energia atômica cresceram após desastre na usina de Fukushima, no Japão

BBC Brasil, BBC

26 de abril de 2011 | 05h48

CHERNOBYL, UCRÂNIA - A Ucrânia marca nesta terça-feira, 26, os 25 anos do pior acidente nuclear da história, na usina de Chernobyl, em uma cerimônia com os presidentes ucraniano, Viktor Yanukovych, e da Rússia, Dmitri Medvedev.

 

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O aniversário do acidente ocorre em meio à onda global de protestos contra a energia nuclear provocada pelo recente desastre na usina de Fukushima, no Japão, atingida pelo terremoto seguido de tsunami do dia 11 de março.

A explosão do reator 4 da usina de Chernobyl, em 26 de abril de 1986, matou pelo menos 30 pessoas de forma quase imediata e gerou uma nuvem radioativa que se espalhou pelo pais e, mais tarde, pela Europa.

Um grande número de pessoas, até hoje não determinado, morreu posteriormente por problemas gerados pela radiação ou tiveram graves problemas de saúde.

Na época do acidente, a Ucrânia fazia parte da então União Soviética, que foi acusada de esconder o problema por vários dias, aumentando os danos provocados pelo desastre.

O acidente forçou a retirada de centenas de milhares de pessoas de suas casas na Ucrânia, no oeste da Rússia e em Belarus. Até hoje vigora uma zona de exclusão de 30 quilômetros ao redor da usina.

Os engenheiros soviéticos tamparam o reator 4 da usina com um revestimento de concreto para limitar o vazamento radioativo. Após 25 anos, porém, uma nova camada de proteção é necessária.

No mês passado, uma conferência de doadores em Kiev, capital da Ucrânia, conseguiu arrecadar 550 milhões de euros (cerca de R$ 1,3 bilhão) dos 740 milhões de euros (R$ 1,7 bilhão) necessários para a construção da nova cobertura e de tanques de armazenamento para combustível nuclear gasto.

Críticas

O 25º aniversário do acidente de Chernobyl ocorre menos de dois meses após a usina Fukushima Daiichi, no nordeste do Japão, ter sido severamente danificada pelo terremoto e pelo tsunami do dia 11 de março, reforçando as campanhas globais contra o uso da energia nuclear.

Os operadores da usina de Fukushima, a Tepco (Tokyo Electric Power Co.), também foram criticados por não divulgar rapidamente informações sobre o vazamento de radiação no local.

O presidente da Rússia, antes de embarcar para a Ucrânia, afirmou que deve haver mais transparência durante as emergências nucleares como em Chernobyl ou em Fukushima. "Acho que nossos Estados modernos precisam ver a principal lição do que ocorreu em Chernobyl e da mais recente tragédia japonesa como a necessidade de contar a verdade às pessoas", disse ele em um encontro no Kremlin com sobreviventes do desastre de 1986.

Medvedev, Yanukovich e o patriarca da Igreja Ortodoxa russa, Kirill, participam de uma cerimônia em Kiev antes de visitar o local da usina em Chernobyl nesta terça-feira.

Protestos

Na segunda-feira, milhares de pessoas participaram de protestos na França e na Alemanha pedindo o abandono do uso da energia nuclear. Um dos principais protestos ocorreu na Pont de l'Europe, que liga a França e a Alemanha sobre o rio Reno, entre as cidades de Estrasburgo, na França, e Kehl, na Alemanha.

"Chernobyl, Fukushima, nunca mais", pediam os manifestantes com cartazes e gritos de guerra. Em meio a sons de sirenes, os manifestantes jogaram flores no rio e deitaram no chão sobre a ponte, numa "morte coletiva" simbólica.

Na Índia, uma grande manifestação foi programada para Jaitapur, em protesto contra os planos de construir um sexto reator para a usina nuclear instalada no local. A campanha contra a ampliação da usina, na costa oeste da Índia, ganhou força após o desastre em Fukushima.

 

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