Manuel de Almeida/Pool via AP
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No auge da pandemia, Portugal reelege presidente Marcelo Rebelo

Presidente conservador aliado da centro-esquerda terá novo mandato de cinco anos; número de mortes bateu recorde no domingo

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2021 | 19h33
Atualizado 24 de janeiro de 2021 | 21h47

LISBOA - O presidente de Portugal, o conservador Marcelo Rebelo de Sousa, cumprirá um segundo mandato após conquistar 61,1% dos votos na eleição de domingo, 24, evitando um segundo turno. Com 99% das urnas apuradas, a taxa de abstenção foi a maior desde a instauração do regime democrático, em 1974, chegando a 61,6%. 

O Partido Socialista do primeiro-ministro Antônio Costa, no poder, não apresentou candidato oficial. Ana Gomes, candidata socialista que foi eurodeputada e não teve apoio do partido, ficou em segundo lugar, com 12,7%. Em terceiro apareceu o candidato André Ventura, de extrema direita, que obteve 11,9% para seu movimento 'Chega'. Embora as medidas de confinamento estejam em vigor devido à pandemia do coronavírus, viagens foram permitidas para votação.

Rebelo de Sousa, professor de direito e ex-líder do partido de centro-direita PSD, tornou-se popular como comentarista político na televisão antes de sua primeira eleição em 2016. Ele trabalhou em estreita colaboração com o governo socialista, apoiando seus esforços contra a pandemia.

Também se tornou querido pelos portugueses com seu estilo descontraído. Fotografias tiradas por transeuntes em locais públicos, como na fila de um supermercado usando tênis e shorts, viralizaram nas redes sociais.

Nas últimas décadas, os presidentes portugueses têm cumprido dois mandatos - a última vez que houve segundo turno foi em 1986. Em Portugal, o primeiro-ministro e o seu governo definem a política. Com mandatos de cinco anos, o presidente exerce um cargo relativamente decorativo, mas tem autoridades como nomear o primeiro-ministro e dissolver o Parlamento. 

As eleições deste domingo serviram para medir a temperatura do país em relação à extrema direita, cujo candidato André Ventura queria "esmagar a esquerda". O jurista de 38 anos causou surpresa ao conquistar uma cadeira no Parlamento nas eleições legislativas de 2019, quando atingiu 1,3% dos votos, mas acabou frustrado por não ter chegado ao segundo lugar.

O país de 10 milhões de habitantes passa por um grave surto de pandemia após o Natal, com a maior média de novos casos e mortes per capita em sete dias, de acordo com o rastreador de dados da Universidade de Oxford. 

O número de mortes por covid-19 bateu recordes pelo sétimo dia consecutivo neste domingo - 275 - com hospitalizações também em recorde e ambulâncias em fila de espera durante várias horas nos hospitais de Lisboa lotados. / W. Post e Reuters 

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