Chris Carlson/AP
Chris Carlson/AP

Em meio à prévia de Iowa, republicanos sonham com candidato mais forte

Partido da oposição custa a encontrar nome que possa derrotar Barack Obama em novembro

Gustavo Chacra, correspondente

03 de janeiro de 2012 | 21h45

NOVA YORK - O elenco de pré-candidatos republicanos nas prévias que começaram na terça-feira, 3, em Iowa é considerado um dos mais fracos da história, sendo descrito como "medíocre" pelo site Politico. A ponto de alguns republicanos históricos, como o estrategista Karl Rove e o editor da revista republicana Weekly Standard, William Kristol, ainda acreditarem no surgimento de um nome que una o partido - o que só poderia ocorrer por meio de um grande consenso.

 

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Os mais citados são Jeb Bush (ex-governador da Flórida e irmão do ex-presidente George W. Bush), Mitch Daniels (governador de Indiana) e Chris Christie (governador de New Jersey). De acordo com uma série de pesquisas, não seria difícil derrotar o atual presidente, Barack Obama, em novembro. Nunca um líder dos EUA conseguiu se reeleger com níveis de desemprego ao redor dos 9%, como ocorre agora. Mas nenhum dos pré-candidatos opositores conseguiu mostrar capacidade para vencer. Mesmo Mitt Romney, visto como o favorito, está longe de agradar à base.

 

No passado, o establishment republicano em Washington e Nova York sempre se unia ao redor da agenda ideológica do partido, como menos intervenção do Estado na economia e uma política externa de defesa radical dos interesses dos EUA. Os escolhidos muitas vezes eram figuras que já tinham disputado prévias ou foram vice-presidentes, como os recentes casos de Richard Nixon, Ronald Reagan, George Bush, Bob Dole e John McCain.

 

Quando Obama chegou ao poder, uma nova corrente do partido, o Tea Party, ganhou força. Alguns de seus membros seguem a linha libertária, de Ron Paul, e querem uma redução drástica nos gastos do governo, incluindo a área de segurança externa, vista no passado como sagrada pelo partido. Outros, mais conservadores em questões religiosas, levantam bandeiras como a oposição ao casamento gay e ao direito ao aborto.

 

Além disso, o bilionário Rupert Murdoch, que declarou apoio pelo Twitter a Rick Santorum, comprou o Wall Street Journal e seu canal de TV, Fox News, é um dos maiores propagadores das ideias do Tea Party.

 

Num editorial desta semana em que critica o partido opositor, a revista britânica The Economist afirma que o candidato republicano hoje "precisa ser a favor da deportação dos 12 milhões de imigrantes ilegais, deve dizer que as 46 milhões de pessoas sem seguro-saúde são responsáveis por essa situação, tem de defender que o aquecimento global é uma conspiração, opor-se a restrições ao uso de armas de fogo, vetar aumento nos impostos e sempre achar que Israel não faz nada de errado e os palestinos não fazem nada correto".

 

Nesse cenário, pré-candidatos conservadores revezam-se como principal rival de Romney nas pesquisas. Segundo análise do Washington Post, "o conservadorismo de Reagan mudou o Partido Republicano quando ele foi o escolhido em 1980". Segundo Pete Wehner, estrategista republicano citado pelo jornal, "neste ano, o partido é o sol e os candidatos são planetas. Eles estão tentando provar aos eleitores das primárias que são confiáveis quando colocados diante da plataforma republicana".

 

Para William Galston, do Brookings Institute, mais próximo do Partido Democrata, a preocupação maior dos republicanos não envolveria as questões sociais, como muitos dizem, mas as econômicas. Isso explicaria em parte o bom desempenho do libertário Ron Paul. De acordo com um levantamento, "39% dos participantes do caucus em Iowa, Estado tido como conservador, consideram a redução nos gastos do governo o tema mais importante, seguido por 25% que veem o desemprego e a economia". Apenas 12% dão prioridade a questões sociais. Só 3% citam a imigração ilegal e a política externa.

 

Segundo Michael Barone, do conservador American Enterprise Institute, o elenco de postulantes republicanos pode trazer surpresas, assim como ocorreu nas primárias democratas de 1932. "Na época, Franklin Roosevelt era considerado uma figura menor", afirma. No fim, "goste-se ou não das políticas dele, foi um dos mais formidáveis presidentes americanos". 

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