GEOFFROY VAN DER HASSELT | AFP
GEOFFROY VAN DER HASSELT | AFP

Em meio a protestos, governo francês sobrevive a censura

Fora da Assembleia, centenas de manifestantes enfrentam a polícia usando até coquetéis Molotov

Andrei NettoCORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

13 Maio 2016 | 06h38

Manifestantes e a polícia voltaram a se enfrentar ontem nas ruas de Paris e de cidades do interior da França, durante protestos que pediam a queda do primeiro-ministro, Manuel Valls. As manifestações ainda ocorriam quando o Parlamento rejeitou por 246 votos, contra 288 necessários, uma moção censura do premiê que ameaçava derrubar o governo. Com isso a legislação que flexibilizou o mercado de trabalho foi adotada por decreto.

Aprovar a moção de censura era a única alternativa para os deputados de legendas de direita, liderados pelo Partido Republicano, e de esquerda, como o Partido Comunista, a Frente de Esquerda e o Partido Verde, para tentar derrubar o decreto do governo que aprovou a chamada Lei El-Khomri.

O texto prevê, entre outras medidas, o aumento do tempo máximo da jornada de trabalho e facilita as demissões “econômicas” para empresas em dificuldades financeiras – seguindo critérios como número de funcionários das companhias e declaração de queda de receita. A reforma também prevê uma redução no porcentual pago como acréscimo às horas extras dos trabalhadores.

Mas os mais de 20 dissidentes do Partido Socialista (PS) recuaram ontem e não apoiaram a moção de censura, acatando o decreto do governo e mantendo Valls. Em discurso ao Parlamento, o premiê defendeu o balanço de seu governo. “A França está levantando sua cabeça. Estamos diante dos primeiros resultados e esperamos consolidá-los. O crescimento está de volta”, ressaltou.

Protestos. Mas a solução da crise parlamentar não significou o fim da turbulência política nas ruas para o primeiro-ministro e para o presidente, François Hollande, a menos de um ano das eleições presidenciais. Em frente à Assembleia Nacional, entre 12 mil pessoas, segundo a polícia, e 50 mil, segundo sindicatos, reuniram-se para pressionar pela demissão do primeiro-ministro e pela retirada da lei.

Grupos de black blocs voltaram enfrentar a tropa de choque, usando até coqueteis molotov e incendiando alguns veículos na área. Sete pessoas foram presas. À noite, pelo menos 300 pessoas, a maior parte ligada ao movimento de esquerda radical Nuit Debout, continuavam em frente à sede da câmara em protesto.

Manifestações similares foram realizadas em Rennes e Nantes, onde 15 pessoas foram presas, e Caen, onde outros seis também foram detidos. Mesmo com a passagem do decreto da reforma do mercado de trabalho pelo Parlamento, sete sindicatos, liderados pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) e por uniões estudantis, convocaram outras duas jornadas de protestos, previstas para 17 e 19 de maio.

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