Em meio a protestos, Cidade do México deve legalizar aborto

Legisladores da Cidade do México devem votar para legalizar o aborto nesta terça-feira, 24. Analistas políticos dão como quase certa a aprovação do projeto pela Assembléia, dominada pela centro-esquerda.A proposta, que deve ser aprovada com a assinatura do prefeito, esquerdista, alarmou os conservadores e obrigou o Vaticano a enviar seus maiores ´negociadores´ antiaborto para a capital mexicana.O México permite o aborto apenas em casos de estupro, severos defeitos de nascimento ou se a vida da mulher estiver em risco, mesmo que médicos proíbam o procedimento mesmo sob essas circunstâncias.Dominada por esquerdistas, a assembléia da Cidade do México tem votos suficientes para legalizar o aborto ilimitado até as 12 primeiras semanas de gravidez. Opositores devem contestar a lei ante a Suprema Corte.A lei diz que os hospitais da cidade devem realizar o procedimento, mas permite a inclusão de clínicas de aborto privado. Garotas com menos de 18 anos vão precisar do consentimento dos pais.O aborto vai ser praticamente de graça para residentes pobres ou com planos de saúde da cidade, mas pode atrair pacientes dos EUA, onde o aborto é ilegal em muitos estados. Na lei da capital mexicana, o aborto após 12 semanas de gestação é punido com prisão, de três a seis meses.Oposição religiosaA Arquidiocese da Cidade do México ameaçou excomungar os legisladores da capital que votarem a favor da legalização do aborto. Em entrevista a uma rádio local, o porta-voz da Arquidiocese, Hugo Valdemar, disse que se a legalização for aprovada, ?estarão automaticamente excomungados os legisladores batizados?.Segundo ele, a Igreja mexicana ?está muito triste? com a proposta para descriminalizar o aborto porque ?há uma ofensa a Deus?.Milhares de manifestantes antiaborto participaram de uma passeata na segunda-feira para pressionar os legisladores da Cidade do México a não aprovar a proposta.Na semana passada, a Igreja local divulgou uma carta do papa Bento XVI pedindo aos bispos mexicanos para lutar contra a legalização do aborto.

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