Nikos Arvanitidis / EFE
Nikos Arvanitidis / EFE

Em meio a protestos, Grécia e Macedônia firmam acordo para mudar nome da ex-república iugoslava

Chanceleres concordam em renomear o país de Macedônia do Norte; confrontos resultam em seis policiais e seis manifestantes feridos, segundo a polícia

O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2018 | 16h49
Atualizado 18 de junho de 2018 | 18h33

ATENAS - A Grécia e a Macedônia assinaram neste domingo, 17, na cidade de fronteira de Psarades um acordo histórico que altera o nome da ex-república iugoslava, que agora passa a ser chamada Macedônia do Norte. Até agora, o nome oficial do país era Ex-República Iugoslava da Macedônia. O acordo acaba com 27 anos de conflito e fará com que Atenas pare de vetar a entrada da Macedônia na União Europeia (UE) e na Otan.

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O pacto foi negociado por seis meses e assinado pelos chanceleres grego, Nikos Kotzias, e macedônio, Nikola Dimitrov. Agora, ele deve ser ratificado pelos dois Parlamentos e submetido a um referendo na Macedônia. Os primeiros-ministros Alexis Tsipras e Zoran Zaev estavam presentes na cerimônia. 

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O acordo tem o apoio de ONU, UE e Otan. Desde a independência da ex-república iugoslava, em 1991, a questão do nome da Macedônia criava um impasse entre os vizinhos. A Grécia rejeitava o fato de ter um país com o nome de uma de suas províncias, reivindicando a herança dos grandes reis da antiga Macedônia, entre eles Filipe II e seu filho, Alexandre, o Grande. 

Os dois governos enfrentam agora reações violentas de grupos nacionalistas e de parte dos setores mais conservadores da opinião pública. No sábado, Tsipras sobreviveu a uma moção de censura para bloquear o acordo. Na Macedônia, o presidente Gjorge Ivanov é contra o acordo, o que pode atrasar a ratificação e o referendo.

“Pouquíssimos acreditavam que seríamos capazes de deixar para trás 26 anos de uma disputa sem resultados”, disse Tsipras. “Temos uma responsabilidade histórica de que este acordo não será mantido em suspenso”, afirmou ele.

Protestos

Enquanto o acordo era assinado, os protestos na Grécia se intensificaram e resultaram em confrontos entre manifestantes e policiais, que atingiram os participantes com golpes e gás lacrimogêneo na pequena cidade de Pisoderi, a 25 km de onde ocorreu a cerimônia.

Seis policiais e seis manifestantes ficaram feridos, segundo a polícia, enquanto 500 pessoas tentaram se aproximar do local da assinatura do acordo com bandeiras gregas. / AFP e REUTERS

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