Em meio a protestos, Grécia vota crucial pacote de ajuste para evitar quebra

Objeto da votação é um novo pacote de medidas com as quais o governo grego aspira arrecadar 78 bilhões de euros até 2015 para reduzir o enorme déficit, que supera 355 bilhões de euros

Efe,

29 de junho de 2011 | 04h09

ATENAS - A responsabilidade pelo futuro da Grécia e da Europa recai sobre os ombros do Parlamento grego, chamado a votar nesta quarta-feira, 29, dolorosas medidas fiscais para seguir recebendo ajuda externa e evitar que o país seja declarado em quebra.

 

O objeto da votação é um novo pacote de medidas com as quais o governo grego aspira arrecadar 78 bilhões de euros até 2015 para reduzir o enorme déficit e tornar sustentável sua dívida, que supera 355 bilhões de euros.

 

O chefe do governo, o socialista George Papandreu, e seu novo ministro das Finanças, Vangelis Venizelos, exortaram os 155 deputados de seu partido, o governante Pasok, a assumir "seu dever patriótico" e apoiar essas medidas, que são "dolorosas, mas necessárias".

 

A poucas horas da crucial votação, se mantém o enigma sobre a decisão final de dois deputados do Pasok que expressaram suas profundas objeções aos novos cortes e aos planos de privatizar a empresa semiestatal de eletricidade (DEH).

Por outro lado, a oposição, em sua totalidade, declarou que não apoiará Papandreu.

 

O grupo socialista parlamentar conta com 155 das 300 cadeiras parlamentares e, portanto, com a necessária maioria absoluta para aprovar o pacote, mas há dúvidas sobre a capacidade do governo de Papandreu de poder implementá-lo com um apoio tão frágil e contra o crescente descontentamento social.

 

Desta forma, os trabalhadores prosseguem nesta quarta-feira seus protestos em um segundo dia de greve geral que desde a madrugada de terça paralisou o transporte no país, alterou voos, afetou a atividade econômica e trouxe a violência às ruas após um mês de pacíficos protestos por parte das dezenas de milhares de descontentes nas praças do país.

 

Em suma, Papandreu enfrenta o descontentamento fora do Parlamento e dentro deste, assim como o risco de quebra do país, refletido na declaração do comissário europeu Olli Rehn, que ontem advertiu aos gregos que "ou aprovam as medidas ou quebram".

 

A questão é que a falta de pagamento da Grécia será inevitável sem a aprovação deste pacote, já que o país não receberia o próximo lance, de 12 bilhões de euros, do gigantesco resgate concedido em maio de 2010 pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pela União Europeia (UE).

 

Sem esse dinheiro, Atenas não poderá pagar os salários e as aposentadorias em julho e quebraria, com um efeito imprevisível no euro e em outros países como Irlanda, Portugal, Itália e Espanha.

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