REUTERS/Oswaldo Rivas TPX IMAGES OF THE DAY
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Em meio a protestos, Ortega pede 'paz e diálogo' durante celebração da Revolução Sandinista

Presidente da Nicarágua exigiu que manifestantes parem com o que considera uma tentativa de 'desestabilizar o país' e que busquem 'restabelecer a ordem' no país

O Estado de S.Paulo

20 Julho 2018 | 04h04

MANÁGUA - O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, pediu aos manifestantes para acabar com o que considera uma tentativa de "desestabilizar o país". Nas últimas semanas, protestos contra o governo terminaram em confrontos que já deixaram mais de 300 mortos em três meses. Durante discurso do 39º aniversário da Revolução Sandinista, a qual participou como guerrilheiro e tirou do poder o ditador Anastasio Somoza Debayle, Ortega cobrou que opositores "mudem" de comportamento.

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"Vocês são todos defensores da paz... Nós precisamos restabelecer a ordem em nosso país", disse Ortega. "O caminho não é a guerra, mas a paz e o diálogo"

O presidente foi aplaudido por apoiadores que participaram do ato. Durante as comemorações da Revolução Sandinista, os ministros de Relações Exteriores da Venezuela e Cuba apoiaram Ortega e disseram que os protestos fazem parte de uma tentativa de golpe. 

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A declaração vem após o governo ordenar o uso de forças policiais e paramilitares contra manifestantes contrários a Ortega. Os protestos geraram confrontos que já deixaram mais de 300 mortos desde o início dos atos, em abril, por causa de uma reforma previdenciária. Manifestantes acusam o governo de fraude eleitoral, manipulação do judiciário e corrupção, além de afirmar que o país vive uma "ditadura familiar", visto que a esposa de Ortega, Rosalio Murillo, é a vice-presidente.

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Nesta semana, as forças do governo realizaram uma "operação limpeza" na cidade de Masaya, reduto rebelde contrário ao presidente. A escalada na violência levou ao aumento da pressão da comunidade internacional contra a Nicarágua. Autoridades do país foram alvos de sanções impostas pelos Estados Unidos e Washington passou a exigir a convocação de novas eleições, previstas apenas para 2021. Ortega, que foi eleito com 72% dos votos para um quarto mandado em 2016, afirmou que não irá renunciar ao cargo nem realizar um novo pleito. //REUTERS

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