Em meio a protestos, país debate modelo educacional

A ministra da Educação do Chile, Mónica Jiménez, mal assumiu o cargo e já enfrenta algumas das maiores manifestações sociais contra o governo na história recente do país. Nos últimos meses, milhares de estudantes saíram às ruas para protestar contra a Lei Geral da Educação, proposta pelo governo, que deve ser votada em novembro.Mónica não reclama. Mostra até certa solidariedade com os argumentos do movimento estudantil. E também não perde a piada: "Sou a ministra da água." A educadora e ex-reitora da Universidade Católica de Temuco refere-se ao protesto de que foi vítima em junho: uma estudante derramou nela uma jarra de água, como revide aos jatos d?água usados pela polícia nas manifestações de rua de Santiago. Mónica assumiu o cargo em abril e não participou da redação da nova lei.O debate no Chile diz respeito ao modelo de educação instaurado pela ditadura de Augusto Pinochet nos anos 70. Diferentemente do Brasil, lá não há só escolas essencialmente públicas e essencialmente privadas. Apenas 8% são escolas particulares como as do Brasil, 42% são públicas geridas pelos municípios e 50% são "privadas subsidiadas". O governo federal paga o equivalente a US$ 110 mensais para cada aluno atendido. Alguns estabelecimentos foram fundados por ex-professores, mas há muitas empresas sem experiência em educação."Alunos com alto poder aquisitivo estão nas escolas particulares, os com médio poder aquisitivo estão nas particulares subsidiadas e os pobres estão nas municipais", diz a ministra. "O que se está produzindo é o agravamento da segregação. E é disso que esses jovens reclamam, com justa razão."A lei criada pelo governo de Michelle Bachelet pretende regulamentar esse modelo - não acabar com ele, como pedem os estudantes. O objetivo é criar regras para controlar o lucro das subsidiadas e exigir que sigam programas de qualidade.Mesmo com o debate, o Chile tornou-se modelo de educação para a América Latina. Em avaliações internacionais, os 3,5 milhões de alunos têm desempenho muito superior ao dos colegas do Brasil ou da Argentina. Enquanto o Brasil investe menos de 4% do PIB em educação, o Chile destina 7% e seus alunos têm garantidos pela Constituição 12 anos de educação obrigatória.A repórter viajou a convite da Unicef

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