Em meio a protestos, paradas gays européias reúnem milhares

Evento acontece em cinco países europeus; na República Checa e Bulgária, 75 contrários à marcha foram presos

Reuters e Efe,

28 de junho de 2008 | 14h56

Milhares de pessoas na França, Alemanha, Espanha, República Tcheca e Bulgária participaram de marchas do orgulho gay na Europa neste sábado, 28. Sob o lema "Queen Parade", homossexuais e simpatizantes saíram às ruas para celebrar, porém os eventos aconteceram sob protestos de vários grupos, incluindo neonazistas. Na República Tcheca e na Bulgária, 75 manifestantes foram presos.   Manifestantes contra às marchas são presos na Bulgária. Foto: Efe   As ruas da cidade de Brno, segunda maior da República Checa, foram testemunhas do caos e operações policiais, quando cerca de 20 pessoas foram atingidas por bombas de gás lacrimogêneo, lançada pelos manifestantes contrários ao movimento. Na ocasião, aproximadamente 15 pessoas contrárias à manifestação dos homossexuais foram detidos pela polícia por atentar contra a ordem pública e outros delitos.   Já na capital búlgara Sofia, 60 manifestantes de extrema direita tentaram impedir a parada gay do país, quando lançavam uma bomba de combustível e tentaram acabar com a manifestação.   Um militante contrário jogou uma bomba de combustível perto dos ativistas, enquanto outros atiraram ovos e alguns carregavam clavas, segundo a polícia. Cerca de 60 pessoas foram detidas, e ninguém ficou ferido.   Na República Checa, manifestantes contrários ao evento são presos. Foto: Efe   O líder da Igreja Cristã Ortodoxa chamou a marcha de "imoral e pecadora" e o Mufti Muçulmano Chefe afirmou que a homossexualidade é uma doença. Um grupo de extrema direita pediu "uma semana de intolerância gay" e, junto com outros grupos, ameaçou violência. Mesmo o primeiro ministro socialista Sergei Stanishev afirmou não gostar de "manifestações e demonstrações de tais orientações".   Apesar da homossexualidade ter se tornado legal no leste europeu após a queda do comunismo, casais homossexuais raramente fazem demonstrações públicas de afeto.Na República Checa, os homossexuais podem se unir no civil desde o ano passado, mas são proibidos de adotar crianças.   Paris   Na França, entre 500 mil e 700 mil pessoas, segundo diferentes fontes, participaram neste sábado da já tradicional Parada do Orgulho Gay de Paris, que este ano, além de seu caráter festivo, focou sua mensagem na luta contra as discriminações dentro do ambiente escolar. Um grande cartaz no qual se lia "Por uma escola sem nenhuma discriminação" abria a sétima edição da passeata organizada pela Associação de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros (GLBTs), na qual não faltaram carros alegóricos e fantasias coloridas.   Parada Gay de Paris. Foto: Efe   O desfile, entre as praças de Denfert-Rochereau e a da Bastilha, mais uma vez reuniu um público composto majoritariamente por jovens com muita vontade de festejar. Porém, também atraiu personalidades políticas cientes da importância do evento. Entre os políticos que foram à passeata, destacou-se o prefeito de Paris, o socialista Bertrand Delanoë, que há alguns anos assumiu publicamente sua homossexualidade.   Ao falar sobre o lema do desfile, Delanoë disse que "as crianças devem saber que um menino é igual a uma menina, que um heterossexual é igual a um homossexual".A presidente do centro GLBT de Paris, Christine le Doaré, justificou o lema deste ano dizendo que "a única solução para combater a homofobia é fazer prevenção na escola". Segundo ela, "isso supõe autorizar mais associações homossexuais a discursarem" nos centros educativos.  

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