Em meio a protestos, Parlamento francês inicia debate sobre casamento gay

Há meses o assunto mobiliza defensores e opositores do 'casamento para todos', como é chamado o projeto de lei.

Daniela Fernandes, BBC

29 de janeiro de 2013 | 12h51

O Parlamento francês inicia nesta terça-feira em clima de grande tensão os debates sobre o polêmico projeto de lei que concede aos homossexuais o direito de se casar e adotar crianças.

A proposta divide a sociedade do país e vem sendo combatida pela Igreja Católica e pelos partidos de direita.

A esquerda, majoritária, e a oposição se preparam para um embate parlamentar que deverá durar duas semanas: mais de 5,3 mil emendas ao texto já foram apresentadas, quase todas por partidos de direta.

Há meses o assunto vem mobilizando defensores e opositores do "casamento para todos", como é chamado o projeto de lei.

Inúmeras passeatas já foram organizadas no país nas últimas semanas. Em meados de janeiro, opositores ao projeto conseguiram reunir 340 mil pessoas nas ruas de Paris, segundo a polícia, ou 1 milhão, de acordo com os organizadores.

No domingo, houve o contra-ataque dos defensores da proposta, com uma manifestação que reuniu entre 125 mil e 400 mil pessoas em Paris a favor da reforma.

Mais importante reforma

O projeto, que autoriza o casamento entre homossexuais e a adoção por esses casais, é considerado por alguns a mais importante reforma da sociedade francesa desde a abolição da pena de morte na França, em 1981.

O governo afirma que sua determinação para garantir a aprovação do projeto - uma promessa de campanha do presidente François Hollande - é "total".

Para a ministra da Justiça, Christiane Taubira, que expõe na Câmara dos Deputados a visão do governo no início dos debates, a França "não deve discriminar seus cidadãos e todos devem ter os mesmos direitos".

"Vamos viver um momento histórico, ultrapassar a última barreira jurídica entre casais heterossexuais e homossexuais", diz o relator socialista do projeto de lei, Erwann Binet.

Referendo

O partido de direita UMP, do ex-presidente Nicolas Sarkozy, vai exigir a realização de um referendo para que a sociedade decida se aprova ou não o casamento entre gays.

O ponto mais polêmico do projeto é a possibilidade de casais homossexuais adotarem crianças.

Pesquisas indicam que a maioria dos franceses (em torno de 60%, de acordo com diferentes institutos) é favorável ao casamento entre homossexuais.

A aprovação ao casamento chegou a ser maior em pesquisas realizadas em anos anteriores. Mas a maioria dos franceses (51%) é contra a adoção por casais do mesmo sexo, segundo uma pesquisa do instituto Ifop divulgada no sábado.

Nesta terça-feira, faixas contra o casamento homossexual e a adoção de crianças por casais gays podem ser vistas na capital francesa e seus arredores.

Opositores ao projeto também prometem fazer vigílias em frente ao Parlamento.

Para garantir as chances de aprovação do texto, o governo retirou do projeto o ponto mais polêmico: a possibilidade de mulheres lésbicas recorrerem a tratamentos de procriação médica assistida para engravidar.

O governo optou por adiar o debate dessa questão e retomar o assunto em um futuro projeto de lei sobre temas ligados à família. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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