Eduardo Di Baia/Associated Press
Eduardo Di Baia/Associated Press

Em meio a protestos, presidente do Chile anuncia reforma ministerial

Piñera substitui o ministro da Educação, após pesquisas indicarem queda de popularidade

Marcia Carmo, BBC

18 de julho de 2011 | 17h30

BUENOS AIRES - O presidente do Chile, Sebastián Piñera, anunciou nesta segunda-feira, 18, uma reforma ministerial que inclui a substituição do ministro da Educação, Joaquin Lavín, após quase dois meses de protestos dos estudantes do país. Lavín passará a ocupar a pasta do Planejamento. O novo ministro da Educação será Felipe Bulnes, que era ministro da Justiça.

Entre trocas de pastas e demissões, Piñera substituiu oito ministros na segunda reforma ministerial - de acordo com o jornal La Tercera - desde que assumiu a Presidência, em março do ano passado.

As mudanças anunciadas nesta segunda-feira ocorreram poucos dias depois que pesquisas de opinião, como a do instituto Adimark, indicaram forte queda na popularidade do presidente e de Lavín. De acordo com este levantamento, Piñera registra 31% de apoio popular, o nível mais baixo para um presidente desde o retorno da democracia no Chile, apesar do crescimento econômico do país (cerca de 6%).

Já Lavín teria perdido apoio desde que os estudantes iniciaram protestos pedindo acesso gratuito às universidades e melhor qualidade no ensino. "Felipe Bulnes assumirá a pasta de muitos desafios, e que não são de agora. Mas agora (esses desafios) são urgentes", disse Piñera ao discursar no palácio presidencial de La Moneda.

Pacote para a educação

Recentemente, Piñera anunciou, em rede nacional de televisão, um pacote de medidas para a educação, incluindo mais recursos para o setor. Os líderes estudantis e professores consideraram que os anúncios não foram suficientes, como afirmaram Camilo Ballesteros, representante dos estudantes, e Jaime Gajardo, presidente do Colégio (sindicato) de Professores.

A reforma ministerial desta segunda incluiu também a substituição da porta-voz do governo, ministra Ena Von Baer, pelo político Andrés Chadwick, além da transferência do ministro Laurencio Golborne, de Mineração e de Energia, para a pasta de Obras Públicas.

Golborne ganhou popularidade após comandar a operação de resgate dos 33 mineiros que estiveram presos em uma mina no país, em outubro de 2010.

Além dos estudantes, outros setores, como os mineiros da Codelco, principal empresa de cobre do país, e ambientalistas realizaram protestos nos últimos dias no Chile.

 

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