Fabio Frustaci/EFE
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Em meio a reaberturas, OMS alerta para possível nova onda de covid-19

Recado da Organização Mundial da Saúde vem no momento em que países como Japão, Itália, França e Espanha aliviam regras de distanciamento social

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2020 | 09h01
Atualizado 26 de maio de 2020 | 20h38

À medida em que países de diferentes regiões do planeta reabrem as atividades econômicas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou o alerta de uma possível segunda onda de casos da pandemia do novo coronavírus e recomendou cautela nessa fase de transição. 

"Precisamos estar cientes do fato de que a doença pode aumentar a qualquer momento, não podemos fazer suposições de que apenas porque está em declínio ela continuará em declínio", avisou o diretor do programa de emergências da OMS, Mike Ryan. "Ainda temos alguns meses para nos preparar para uma segunda onda, podemos ter um segundo pico nesta onda". 

Nesta terça, os casos confirmados em todo o mundo superaram 5,5 milhões, de acordo com um levantamento em tempo real da Universidade Johns Hopkins. O total de mortos é de 346.700, mas as estatísticas provavelmente são mais altas devido a diferentes definições e taxas de teste, atrasos e suspeitas de subnotificação. 

Maria Van Kherkove, epidemiologista líder da resposta da OMS à pandemia, comentou que uma característica dos coronavírus é sua capacidade de se disseminar em determinadas situações e eventos de "super propagação". "E estamos vendo em várias situações nessas configurações fechadas. Quando o vírus tem uma oportunidade, ele pode se transmitir rapidamente". No último fim de semana, a imprensa alemã divulgou que uma missa na cidade de Frankfurt deixou mais de 40 pessoas contaminadas. 

Ainda não se sabe como o vírus vai desenvolver ao longo do tempo, mas Mike Ryan disse há duas semanas que ele poderia 'nunca ir embora'. "Esse vírus pode se tornar um vírus endêmico nas nossas comunidades. Pode nunca ir embora. O HIV nunca foi embora", afirmou Ryan. "Não estou comparando as duas doenças, mas acho que é importante ser realista: ninguém pode prever quando ou se essa doença vai desaparecer". 

Algumas das perguntas sem respostas de Ryan são a reação do vírus a variações de estações do ano, possíveis mutações que o tornem mais ou menos letal, o tempo de imunidade de uma pessoa que se recuperou e o período necessário para produzir uma vacina. 

Um vírus endêmico é aquele em que as populações de uam determinada região precisam conviver e que se manifesta ao longo do tempo. No Brasil, são doenças endêmicas a malária, a dengue e a febre amarela, por exemplo. 

Em entrevista ao Estadão na segunda, a cientista-chefe e diretora executiva da OMS, Soumya Swaminathan, afirmou que o cenário mais plausível pode envolver "ondas epidêmicas recorrentes, intercaladas com períodos de transmissão de baixo nível.

"Os países que estão assumindo o controle de seus próprios riscos enquanto saem dos bloqueios se sairão melhor e poderão evitar grandes segundas ondas se puderem interromper a transmissão através de um forte sistema de saúde pública capaz de detectar casos precocemente e uma população em alerta", disse. 

Ainda que faltem informações precisas sobre a época, especialistas consideram que pandemia da gripe espanhola, ocorrida há cerca de um século, teve pelo menos três grandes ondas. O surto de H1N1 também teve duas ondas. 

Reaberturas 

No fim de semana, os franceses decidiram permitir a realização de cerimônias religiosas em todo o país. A Itália reabriu academias e ginásios nesta semana, e o Japão suspendeu o estado de alerta contra a pandemia. O governo italiano vai começar o recrutamento de 60 mil voluntários para monitorar a conformidade de suas medidas de segurança

Ainda na segunda, o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe disse que se os países baixarem a guarda a doença "vai se espalhar muito rápido". "Precisamos ser vigilantes". Na Espanha, as duas cidades mais impactadas pela pandemia - Madri e Barcelona - estão reduzindo o lockdown a partir desta semana. 

Nos Estados Unidos, o país mais atingido pela epidemia, milhares de americanos relaxaram o isolamento social durante o Memorial Day, feriado nacional em homenagem aos mortos em combate. Reabertas recentemente, algumas praias ficaram lotadas, assim como os balneários do Lago de Ozarks, no Missouri. No Texas, uma festa reuniu cem pessoas na piscina de um clube de Houston. 

No fim de semana, Deborah Birx, coordenadora da equipe médica do governo, se disse “muito preocupada” com as aglomerações no feriado. “Realizar atividades fora de casa é bom. Mas isso não muda o fato de que as pessoas precisam ser responsáveis e manter certa distância”, disse. / AFPW. Post e NYT 

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