Em meio a tensão, Israel fecha fronteira com Cisjordânia

Israel bloqueou hoje as vias de acesso à Cisjordânia e reforçou medidas para evitar manifestações de palestinos em Jerusalém Oriental. Israel justificou as medidas afirmando que temia novas ações de palestinos durante as tradicionais preces de sexta-feira - dia sagrado para muçulmanos e judeus.

AE-AP, Agencia Estado

12 de março de 2010 | 19h00

O cerco foi ampliado um dia após o vice-presidente americano, Joe Biden, deixar a região com um sabor de derrota em sua iniciativa para relançar "negociações indiretas", e a dois dias da chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Tel-Aviv. Hoje foi a vez da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, criticar a expansão israelense.

Todas as estradas que ligam a Cisjordânia, sob controle da Autoridade Nacional Palestina (ANP), a Jerusalém foram bloqueadas. Contingentes da tropa de choque da polícia passaram a ocupar pontos estratégicos em Jerusalém Oriental, local reivindicado pela ANP como futura capital de um Estado palestino. Todos os palestinos com menos de 50 anos foram proibidos de entrar na Mesquita de Al-Aqsa, um dos lugares mais sagrados do Islã. Israel deteve quatro manifestantes que atiravam pedras contra policiais. Palestinos teriam tentado também atacar um ônibus escolar de crianças israelenses ortodoxas.

Na Faixa de Gaza, território controlado pelo grupo islâmico Hamas, centenas de manifestantes queimaram bandeiras de Israel e dos Estados Unidos. "Nós recuperaremos a mesquita de Al-Aqsa com nosso sangue e nossas almas", cantava a multidão. Líderes do grupo criticaram a ANP, controlada pela facção rival Fatah, que teria sido submissa ao aceitar o "diálogo indireto" proposto pelos EUA. Enquanto isso, persistia nesta sexta-feira a polêmica envolvendo o anúncio da construção de milhares de novas casas em Jerusalém Oriental, feito por Israel enquanto Biden visitava o país.

Segundo o Departamento de Estado dos EUA, Hillary telefonou ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para dizer que o imbróglio prejudica os laços entre Washington e Tel-Aviv. A construção dos novos complexos habitacionais "é um sinal muito negativo da posição de Israel diante da relação bilateral", disse o porta-voz do Departamento de Estado, P. J. Crowley. A atitude de Israel "compromete a confiança e fé no processo de paz", completou. Biden já havia, por duas vezes, criticado a decisão israelense de construir mais 1.600 casas em território palestino. Israel desculpou-se, mas não revogou o projeto.

O anúncio foi feito diretamente pelo Ministério do Interior de Israel, controlado pelo partido ultradireitista e religioso Shas, supostamente à revelia de Netanyahu. Em visita a Túnis, o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, afirmou que as "negociações indiretas" propostas pelos EUA foram comprometidas por Israel. Ele, porém, não confirmou a informação divulgada pela Liga Árabe de que palestinos recusariam o diálogo diante da medida israelense. Com informações da Dow Jones.

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